No rasto matricial do conde D. Pedro de Caminha (II) – Dona Constanza de Zúñiga. Uma figura inconsistente, entre Monterrei e Miranda del Castañar

Sepulcro de Inés Alvares (Santo Domingo de Tui)
Sepulcro de Inés Alvares (Santo Domingo de Tui)

Desconhece-se em absoluto, a localização do sepulcro em que estaria dormindo o sono eterno, a dita D. Constanza de Zúñiga, conforme asseverava o neto D. Álvaro. Existe de facto em Santo Domingo de Tui, uma arca tumular de certa dama, jazendo ao lado de um Soutomaior; deverá no entanto tratar-se de Inês Álvares, mãe do bispo D. Juan Fernandes de Soutomaior, conforme levanta Marta Cendon Fernandez[1] e sustenta Suso Vila[2]. A própria redacção testamental de 1491 é suspeita. Além de ser demasiado sucinta para o objectivo, limita-se a dois tópicos fundamentais: a indicação do local para o futuro enterramento do testador e dos ascendentes mais próximos (avô, tia e pai), concluindo com a detalhada informação referente a D. Constanza de Zúñiga; e a nomeação da mulher, D. Inés Enríquez de Monroy, como administradora da sua fazenda e tutora do previsível herdeiro, ainda por nascer. Excluindo uma quantia que manda dar para ajuda da guerra de Granada – para onde partiria em breve -, nada mais! Como ambos (nobreza dos quatro costados, e a posse efectiva dos bens pela viúva do titular da casa) foram temas judicialmente vitais para a linhagem, entre as décadas finais do século XV e as primeiras do seguinte, é pertinente questionar a credibilidade do documento. Convém recordar que D. Pedro de Soutomaior, o filho desta D. Inés, para além do crime de matricídio porque foi condenado em 1518, ficou conhecido na história como um dos maiores falsários do seu tempo[3]! E que nos pleitos pela casa de Soutomaior ocorridos entre os séculos XVI e XVIII, se deram como falsos vários documentos, entre os quais um testamento de D. Maior de Soutomaior, datado de 1482[4], originalmente apresentado num litígio que opôs D. Inés e seu filho, aos restantes herdeiros encabeçados por D. Diego de Soutomaior[5].

Estranha-se de igual forma que, enquanto legítimo titular e cabeça de linhagem, D. Álvaro pretenda sepultar-se em São Domingos de Tui, apartado dos antecessores, aos quais destina uma posteridade bem mais relevante, na capela do bispo Soutomaior, no interior da sé-catedral do bispado. E ainda causa maior admiração, pretender sepultá-los a todos – se o bispo não autorizasse a manda anterior -, junto da sua ilegítima avó. Além do mais, tanto Fernan Yañez como a irmã D. Maior há muito que jaziam no panteão da família, em São Domingos de Pontevedra! Exactamente na mesma capela na qual, ainda hoje, se pode ver a laje sepulcral onde o próprio D. Álvaro acabou sepultado, poucos anos mais tarde, sem que se respeitassem aquelas suas vontades!

Outro exemplo duvidoso data de 1510, aquando da recolha de testemunhos para a já referida admissão à Ordem de Alcântara de D. Diego de Soutomaior – processo em que era condição necessária a apresentação de nobreza dos quatro costados. Uma das testemunhas arroladas detalhou inclusive que conhecera “(…) Doña Constancia de Çuñiga, que hera hermana de Juan de Çuñiga el bermejo de Valladolid (…)”, nos oito anos que servira como pajem na alcáçova de Soutomaior![6]

O mesmo D. Diego, cerca de duas décadas mais tarde – já comendador de Almorchón e Cabeza del Buey naquela ordem -, referenciava a sua presumida avó, como “(…) hija de don Diego Lopez de Çuñiga (…) e de una señora de la casa de Avellanedo la qual [Fernan Yañez] traxo a Galizia y alli faleçio”, logo após ter distorcido os factos para encobrir a bastardia paterna, escrevendo que Álvaro e Fernan Yañez de Soutomaior eram irmãos, que este não tivera descendência legítima, e que seu pai era filho do primeiro![7]

Simultaneamente o cronista Vasco da Ponte, nos anos 30 do século XVI, documentava na “Relación dalgunhas casas e liñaxes do Reino de Galiza”, como então era vista a origem de Pedro Álvares de Soutomaior: “(…) bastardo natural que o tivera seu pai Fernán Eáns dunha irmã, curmá ou sobriña (…)” de D. Teresa de Zúñiga, condessa de Santa Marta. Com um parágrafo de permeio, logo identifica a dita condessa, como tia do Soutomaior.[8] Faço notar, como o cronista associa indiscriminadamente, as noções de “filho bastardo” e “filho natural” que, já se viu, encerrarem diferentes conceitos legais e sociais.

Baseados nestas fontes primárias, procuraram os investigadores – em vão -, encontrar a referida D. Constanza de Zúñiga, que deveria ser filha de um D. Diego López de Zúñiga e de uma senhora Avellaneda, ter um irmão D. Juan de Zúñiga, referência em Valladolid, e ser irmã, co-irmã ou sobrinha dos Zúñiga de Monterrei. Nenhuma genealogia conseguiu, com os dados disponíveis até hoje, cumprir todas estas premissas.

Castelo de Monterrei (Ourense)
Castelo de Monterrei (Ourense)

Uma hipótese próxima do ideal, pode situá-la como filha natural de D. Diego López de Zúñiga “o moço”, havida numa senhora da casa de Avellaneda e, como tal, irmã natural de D. Juan, visconde de Monterrei, e das condessas de Santa Marta e Ribadeo. A ser verdade, Pedro Madruga seria, de facto, sobrinho destes últimos, sustentando-se assim, a afirmação de Vasco da Ponte. A história parece apoiar esta probabilidade. Sabe-se pela “Crónica del Halconero de Juan II”, Pedro Carrillo de Huete, que em 1432 Fernan Yañez de Soutomaior participou no cerco e tomada do castelo de Alba de Aliste, no âmbito das lutas contra os infantes de Aragón[9]. Pelo manuscrito de Baltasar de Zúñiga y Fonseca, um “Sumário da descendência dos Condes de Monterrey” escrito em começos do século XVII, igualmente se conhece que foi D. Diego López de Zúñiga “o moço”, residente em Zamora, quem comandou a referida acção militar por incumbência do rei Juan II de Castilla[10]. Além disso, este Zúñiga de Monterrei esteve viúvo de D. Elvira de Biedma algum tempo antes de 1418, ano em que casou pela segunda vez com D. Constanza Barba, cabendo a possibilidade de ter uma filha natural nascida nesse hiato de viuvez. Desse modo, os factos históricos colocam Fernan Yañez em Zamora, com acesso privilegiado à casa dos Zúñiga, num ano em que uma suposta filha natural de D. Diego poderia ter entre 16 e 18 anos, viabilizando o nascimento de Pedro Madruga entre os anos de 1432 e 1433.

Contudo nenhuma fonte primária, ou as genealogias posteriores, confirmam a existência dessa filha natural do primeiro Zúñiga que senhoreou Monterrei. Além disso, sabe-se através de documentação relevada por José García Oro no texto de “La Nobleza Gallega en la Baja Edad Media”, que Álvaro de Soutomaior se dirigia a D. Juan de Zúñiga y Biedma, de Monterrei, com o tratamento de “mi Señor tio”[11]. Radicava o parentesco, curiosamente, entre duas Elviras da casa de Biedma: a avó do Soutomaior[12], e a mãe do Zúñiga. De forma semelhante haveria Álvaro de tratar com D. Teresa, irmã daquele, resultando que a Pedro Madruga – irmão de Álvaro -, bastava ser filho de Fernan Yañez de Soutomaior, para também ser visto na sua época como sobrinho da condessa de Santa Marta. Insinua Salazar y Castro, que por essa ofensa (concubinato com uma filha já de si natural?), os de Monterrei terão morto o Soutomaior[13], observando por outro lado e noutra parte, à margem da cópia que fez ao testamento já mencionado de D. Álvaro de Soutomaior, que “(…) en la linea de M.te Rey, no ai tal Dª Constanza: a lo menos lexitima”. A estreita aliança que ambas as linhagens mantiveram nos anos subsequentes, não sustenta porém, esta “acusação” do genealogista. No mesmo documento em que afirma que “(…) por estos amores le mataron” Salazar y Castro dá por avó de Pedro Madruga a segunda mulher do senhor de Monterrei, D. Constanza Barba, não se escusando a reservas, ao admitir “(…) esta creo que fue su madre, que sé no fue bastarda.”

Fragiliza toda esta hipótese, a já referida frase do comendador D. Diego de Soutomaior, coincidindo exactamente nos mesmos nomes (Diego López de Zúñiga + senhora Avellaneda = Constanza de Zúñiga) que se sabe pertencerem a uma geração posterior dos condes de Santa Marta. De facto, a terceira condessa de Santa Marta foi D. Constanza de Zúñiga y Avellaneda, filha dos primeiros condes de Miranda del Castañar, D. Diego López de Zúñiga e D. Aldonza de Avellaneda, primos co-irmãos da dita D. Teresa de Zúñiga, a primeira condessa de Santa Marta. Embora pareça confusa, esta genealogia, à luz dos parentescos medievais, também identifica Constanza como sobrinha daquela condessa, filha de primo co-irmão. Não se verifica, no entanto, a existência de um D. Juan de Zúñiga nesta geração da casa de Miranda del Castañar. Além do mais a cronologia estabelece para esta Constanza, uma data de nascimento limite nos anos 40 do século XV, enquanto a mãe do futuro conde de Caminha não poderia ter vindo ao mundo depois de 1420.

Castelo de Miranda del Castañar (Salamanca)
Castelo de Miranda del Castañar (Salamanca)

O que acima fica dito, parece fazer oscilar a presumível origem de Constanza de Zúñiga, entre a casa orensana de Monterrei e a salmantina de Miranda del Castañar, aparecendo em fundo, o condado de Santa Marta de Ortigueira como elemento estruturante de um enredo que decorre entre meados do século XV e o primeiro terço do seguinte, envolvendo as linhagens de Soutomaior, Zúñiga, Ulloa e Sarmiento.

Em 1468, quando Álvaro de Soutomaior decide perfilhar o “bastardo” Pedro, altera a linha de sucessão que seu pai, Fernan Yañez, estabelecera no testamento de 1440: se Álvaro não tivesse filhos, os senhorios passariam à tia, Maior de Soutomaior, e desta, pela mesma razão, passariam a Lopo Sanches de Ulloa, ou aos da sua geração. Por isso se realizou o seu casamento com a filha deste, Maria de Ulloa. Só que o matrimónio não teve fruto e Álvaro morreu, sem deixar geração, mas perfilhando o irmão para que pudesse herdar, o que veio a acontecer, por expressa autorização do rei Enrique IV, em Agosto de 1468[14]. Mais tarde, em 1477, D. Maior de Soutomaior confirmá-lo-ia em testamento, como seu herdeiro universal[15], desfazendo qualquer dúvida, sobre a legitimidade de D. Pedro Álvares, já conde de Caminha, à herança da casa de Soutomaior.

Entretanto, protestava o cunhado D. Sancho de Ulloa, filho de Lopo, considerando-se o legítimo candidato a herdeiro[16], conforme definira o testamento de 1440. Prevenindo-se quanto às suas origens maternas, Pedro Madruga poderá ter buscado a legitimidade entre a incontestável nobreza dos Zúñiga, parentes e aliados – tanto na Galiza como na Extremadura[17] -, e a quem o seu irmão Álvaro tinha recentemente apoiado, na invasão predadora feita por D. Juan ao território dos Ulloa, interrompendo deste modo, a aliança familiar que os Soutomaior mantinham há duas gerações com os desta linhagem. Afirma-o Vasco da Ponte, contando que quando Lope Sanches de Ulloa “(…) tiña casada a súa filla com Xoán Zúñiga, que cando el lla quitou e a casou com Diego de Lemos, o tal Xoán Zúñiga axuntou consigo grandes xentes do vizconde [de Fisterra, D. Lope Sanches de Moscoso, aliado dos Soutomaior] e do conde de Ribadavia, e a casa de Soutomaior e correulle toda a súa terra e queimoulle a casa de Vilarmaior (…)”[18].

Prova igualmente a firme aliança entre as casas de Soutomaior e Monterrei, o facto de não haver notícia desta última ter integrado as expedições militares dos Pimentel e Sarmiento contra a cidade de Tui – na posse dos Soutomaior -, ou ter subscrito o acordo de Mucientes, em que os condes de Benavente e Santa Marta juraram“(…) non fazer trato, pas nin avenençia com Álvaro Paes de Soutomaior (…) antes le faremos todo mal e dagno en su persona e fortalesas e bienes e vassalos que pudiéremos (…)”[19]. Sendo certo, que D. Juan de Zúñiga y Biedma viveu largos anos em casa de sua irmã D. Teresa, condessa de Santa Marta, desempenhando cargos da confiança do conde seu cunhado e Adiantado-Maior da Galiza, entre os quais o de Meirinho-Maior das suas hostes[20], e chegando a ser escolhido por mediador, em certa disputa de monta entre Álvaro de Soutomaior e o próprio adiantado D. Diego Pérez Sarmiento, com vantagem para o primeiro ao garantir a posse da vila de Salvaterra[21]. Porém ficaram os termos por cumprir até à morte do Sarmiento, decidindo em seguida a Zúñiga, entregar Salvaterra aos Soutomaior! Igualmente se evidencia tal aliança, no pedido de ajuda a Pedro Álvares de Soutomaior, feito pela dita viúva, quando desesperava na luta pela integridade do seu senhorio contra o rebelado povo de Ribadavia. Morreu todavia D. Teresa de Zúñiga y Biedma violentamente, antes que ali chegasse aquele sobrinho, o qual em retaliação a vingou de forma exemplar, fazendo “(…) matar a uns e a outros cortar os pés, e a outros prender (…)[22].

Quatro anos depois, em 1474, desaparece o seu irmão D. Juan de Zúñiga y Biedma, visconde de Monterrei. Casado com a única filha deste, Sancho de Ulloa recebe dos Reis Católicos, o título de Conde de Monterrei. Aliado do arcebispo Fonseca, será desde então, um dos maiores inimigos do conde de Caminha. Entre os Ulloa e os Zúñiga, naturalmente a casa de Soutomaior estará desde então ao lado de Pedro de Zúñiga y Barba, meio-irmão dos já falecidos visconde de Monterrei e condessa de Santa Marta, nomeadamente em 1486, quando este decide reclamar na justiça, a D. Sancho de Ulloa, o morgadio das terras de Monterrei, baseado numa antiga sentença de 1454. O Zúñiga ganha o pleito judicial em 1489[23]. Sua mulher, D. Juana de Arellano, era prima co-irmã de D. Aldonza de Avellaneda, a já referida condessa de Miranda del Castañar, mãe de Constanza de Zúñiga – a presumida mãe do conde de Caminha D. Pedro de Soutomaior, atendendo às palavras do filho deste, D. Diego, comendador da Ordem de Alcántara.

Nesse meio tempo, depois da morte da primeira condessa D. Teresa de Zúñiga y Biedma (1470), disputou-se igualmente na justiça, o direito à sucessão no condado de Santa Marta, entre D. Bernardino Sarmiento e o sobrinho Francisco, casado com a dita Constanza de Zúñiga[24]. Os Soutomaior estarão ao lado deste último, ou não tivesse D. Bernardino pactuado com o arcebispo Fonseca, a morte de Pedro Madruga, às mãos traiçoeiras de outro Sarmiento, senhor de Sobroso[25]! Em 1476 Bernardino cede, recebendo à posteriori e à guisa de compensação, o título de Conde de Ribadavia, prolongando-se no entanto o pleito pelas vilas de Ribadavia, Ortigueira e Mucientes até aos anos noventa, a instâncias da própria D. Constanza de Zúñiga, então já viúva[26]. Também a vila de Salvaterra foi disputada nesta época, entre os condes de Ribadavia e Caminha, sendo de crer que estes últimos terão recebido o apoio da condessa de Santa Marta, “(…) que se procuraba amigos y aliados en Galicia (…)”[27], tentando a todo o custo ganhar vantagem sobre o seu parente.

O comportamento da casa de Soutomaior que aqui fica analisado, deixa assim clara uma colagem à linhagem dos Zúñiga, sustentada no parentesco da casa de Biedma, e no apoio mútuo contra inimigos comuns: os Ulloa numa primeira fase, e os Sarmiento mais adiante. Não reflecte por isso, necessariamente, uma ponte genealógica próxima com D. Pedro Álvares, conde de Caminha, uma vez que muito antes da sua entrada em cena, já Fernan Yañez e Álvaro de Soutomaior acompanhavam com os daquela linhagem.

Acerta em cheio José García Oro, ao definir as elevadas aspirações de Pedro Madruga: “(…) lo que él se empeñó en ser y lo que pensó la gente que era. Su grandeza, real o pretendida, le valió también la suerte de poseer una biografia de corte hidalgo (…)”. Isso reflecte-se na forçada presença heráldica dos Zúñiga em Soutomaior, apesar daquele que foi o primeiro conde da linhagem, ter sido“(…) hijo de una madre pretendidamente desconocida (…)”![28] Reportando-se essa fonte primogénita, pelo menos ao tempo em que Pedro Madruga comandava os destinos da linhagem, mais de trinta anos se tinham já passado desde a morte de Fernan Yañez de Soutomaior, guardando segredo sobre a identidade da mulher em quem gerara o “bastardo”. Esse facto suscita inevitavelmente a hipótese, de ter sido o próprio Pedro Álvares de Soutomaior, a introduzir e difundir a sua ascendência materna – “real ou pretendida” – na Galiza (onde precisava de se afirmar e ganhar aliados, por exemplo, na pessoa do visconde de Monterrei), em Castela (onde os Zúñiga eram primeiros cavaleiros e estariam na linha da frente no apoio à princesa Juana contra os Católicos), ou em Portugal (onde o rei Afonso V o autorizara a casar com a filha de um dos seus influentes conselheiros, chefe de uma das mais antigas e nobres linhagens do reino). Sendo assim, facilmente se compreende que a geração proveniente do conde de Caminha – cujo filho mais velho atingiria a maioridade legal (14 anos) já em meados dos anos oitenta, a pouco tempo do desaparecimento do pai -, apresentasse um limitado conhecimento acerca da sua avó paterna, e sempre através da perspectiva transmitida pelo chefe da linhagem!


[1] Fernandez, M. C. (1992). La escultura funerária del siglo XV en la Iglesia de Santo Domingo de Tuy. Tuy. Museo y Archivo Diocesano, VI, pp. 177-182.

[2] Vila, S. (2010), pp. 298, 301.

[3] Arranz, F. A. (1948). Una importante falsificación de documentos a princípios del siglo XVI. Boletín del Museo Arqueológico Provincial de Orense, IV, pp. 59-125.

[4] Pericacho, J. G., Acevedo, F. N., & Salazar, M. V. (1794). Memorial ajustado del pleyto que se sigue en el Consejo y Sala de Justicia, entre Don Benito Fernando Correa, Marquês de Mós, Conde de San Bernardo, y Doña Maria Masones de Lima, Duquesa de Sotomayor, Marquesa de Tenorio y de Los Arcos. Madrid, España: Imprenta de la viuda de Don Joaquín Ibarra. Pode ler-se no índice o resumo seguinte: “Sumaria recibida por el Licenciado Romero sobre la falsedad del Testamento de Doña Mayor de Sotomayor y de otros instrumentos”.

[5] Arranz, F. A. (1948), pp. 64.

[6] Ayerbe, M. (1904). El Castillo de Marques de Mos en Sotomayor. Apuntes Históricos. (M. Ayerbe, Ed.) Madrid, España, pp. 135-136.

[7] Archivo Histórico Nacional. Relación. Informe de la descendencia de la casa de Sotomayor  (1er. Tercio del siglo XVI), Galicia: Diversos-Colecciones, Leg. 247, doc. 4.

[8] Ponte, V. (2008). Relación dalgunhas casas e liñaxes do Reino de Galiza (1ª ed.). (C. G. Pérez, Ed., & R. M. Outón, Trad.) Noia, Galicia: Editorial Toxosoutos, pp. 120-121.

[9] Carrillo de Huete, P. (2006). Crónica del Halconero de Juan II. (J. M. Carriazo, Ed.) Granada, España: Editorial Universidad de Granada, pp. 135.

[10] Zúñiga y Fonseca, B. Sumario de la descendência de los Condes de Monte Rey, Señores de la Casa de Viezma y Ulloa, Manuscrito, Colección Luis Salazar y Castro, pp. 6.

[11] García Oro, J. (1981). La Nobleza Gallega en la Baja Edad Media. Santiago de Compostela, Galicia: Bibliófilos Gallegos, pp. 222.

[12] Pardo Villar, A. (1942). Historia del Convento de Santo Domingo de Pontevedra. Pontevedra, Galicia: El Museo de Pontevedra, pp. 150. O autor transcreve uma doação de Fernan Yañez de Soutomaior, feita em 1433 ao convento, na qual identifica a mãe como “Doña Elvira de Bema”. Segundo Lavaña, nas notas ao Nobiliário do Conde D. Pedro, “Bema es lo mismo que Biedma (…)”.

[13] Vila, S. (2010), pp. 299.

[14] Archivo Histórico Provincial de Zaragoza. P 4-092-02. 6/08/1468. Leitura feita por Suso Vila e publicada em Vila, S. (2010), pp. 461-465.

[15] Museo de Pontevedra. Tumbo de Santo Domingo, 1423-1488. Col. Sampedro 21-6. (Pergaminho). 6/01/1477. Leitura feita por Suso Vila e publicada em Vila, S. (2010), pp. 470-472.

[16] García Oro, J. (1981), pp. 174. O autor cita excertos do testamento de Sancho de Ulloa, feito em 1480: “Pedro Alvarez de Sotomayor, com quien disputaba sobre bienes hereditários y «por enemistad le era enemigo»”.

[17] As casas de Belalcázar (Sotomayor) e Plasencia (Zúñiga) estavam aliadas desde princípios dos anos 50 do século XV, através do casamento de D. Alfonso de Sotomayor com D. Elvira de Zúñiga, sobrinha dos de Monterrei.

[18] Ponte, V. (2008), pp. 77.

[19] García Oro, J. (1981), pp. 96-97.

[20] Delgado, A. D. (2013). La Casa de Monterrey: Agregada a la Casa de Alba desde 1733. (U. C. Madrid, Ed.) Obtido em 12 de Maio de 2013, de Universidad Complutense de Madrid – Departamento de Historia Moderna – Tesis Doctorales: http://eprints.ucm.es/21468/1/T34471.pdf, pp. 133.

[21] García Oro, J. (1981), pp. 222.

[22] Ponte, V. (2008), pp. 121.

[23] Delgado, A. D. (2013), pp. 156-157.

[24] García Oro, J. (1981), pp. 108.

[25] Vila, S. (2010), pp. 197.

[26] García Oro, J. (1981), pp. 109.

[27] Ibidem, pp.109.

No rasto matricial do conde D. Pedro de Caminha (I) – “Dona nobre” ou “mulher vil”. Indícios de um testamento

Soutomaior (Pontevedra)
Soutomaior (Pontevedra)

Nota introdutória

Insere-se o presente ensaio no vasto âmbito dos estudos, que desde 1898 pretendem fundamentar a origem galega de Cristóvão Colón, o descobridor do continente americano. Entre os diversos rumos propostos por quase meia centena de investigadores, sobressai hoje em dia o enunciado que o identifica com D. Pedro Álvares de Soutomaior, visconde na galega Tui, e conde na portuguesa Caminha. Leva a proposição cerca de três décadas, e sustenta-se – entre outros – num pilar fundamental: a incerteza da identidade materna deste último. Trata-se de matéria controversa, e da qual se desconhece à data, qualquer resenha de cariz plenário e abrangente. Um vazio eversivo no edifício da opinião. Esta premissa encerra por si só, a razão do exercício que segue.

“Dona nobre” ou “mulher vil”? – Indícios de um testamento

A identidade da mãe de Pedro Madruga mantém-se, ainda hoje, um mistério tão impenetrável, como a busca da origem de Colón, o almirante das índias.

Entre as esparsas citações dos próprios netos, a opinião de um cronista daqueles tempos, e as conclusões extraídas de alguns genealogistas de referência, brotou a inconsistência que hoje invalida a assunção de qualquer certeza, complicando, em absoluto, a tarefa de reconstrução desse capítulo gerador da vida do conde de Caminha.

De todas as conhecidas, a fonte mais antiga que a menciona, é o próprio testamento de quem a tomou por manceba, fosse por consentimento, ou mero recurso ao “direito de pernada” que então se praticava. Em Novembro de 1440, preparando-se para enfrentar o juízo final, Fernan Yañez de Soutomaior aliviava a sua consciência a esse respeito, ditando a seguinte manda: “(…) a Pero de Sotomaior mi fizo bastardo queyo ove de una muger que sabe bien su nombre y quien ella es Alfon Guadardans mi escudero – y el dicho Rodrigo de Deza mi sobrino quele den a el dicho mi fizo bastardo todas las cosas q menester oviere para se crear, y con q dependa em estudio porq es mi voluntad q sea Clerigo. et esto q sea fecho y see faga a bien vista de fray Estevan de Soutelo Mestre em S.ta theolosia y del dicho Alfon Guardardan. Yten mando q den ala madre del dicho Pedro mi fizo bastardo por el cargo q della tengo docientos frolines de oro y dela dicha ley y cuño de Aragon”.[1]

É claro o cuidado do testador em não revelar o nome da amásia. Menos explícitas se tornam as razões que a isso o moveram, deixando no ar a convicção de que aquela ligação amorosa sempre foi oculta, e apenas conhecida de alguns fiéis. De outro modo, careceria de sentido essa discrição revelada nas últimas vontades. Pode atribuir-se igualmente ao testador, a consciência do erro em que incorrera, assim como a necessidade que o mesmo lhe não sobrevivesse face à sociedade de então, conforme sugere Suso Vila na sua análise à “Casa de Soutomaior (1147-1532)”. Contudo, esse mesmo autor destaca, com estranheza, que não seria um comportamento muito habitual, nomeadamente se a mulher em questão, fosse donzela nobre[2]. Conforme explica baseando-se nas leis de “Las Siete Partidas” de Alfonso X, a uma criança nascida sob essas condições, se chamava “natural”, e podia, inclusive, herdar os bens paternos[3].

Essa situação, por si só, justificava a identificação da mãe, em prol do porvir do filho. No caso de Fernan Yañez mais ainda, na hora em que procurava alívio divino para um dos seus pecados terrenos, através do garante do futuro de Pedro, numa carreira eclesiástica. Contudo, à mãe omitiu-lhe o nome e, nas duas vezes que menciona o filho, não se coíbe a adjectivá-lo de “bastardo”, excluindo-o do direito a qualquer herança patrimonial, estabelecendo apenas uma renda com que se possa criar e estudar.

A explicação para estes factos, pode assumir-se à luz do que fica dito: a mãe de Pedro de Soutomaior seria de condição social inferior, situação altamente penalizante para um nobre de elevada hierarquia, e para um filho ilegítimo com futuro apontado à igreja.

A lei que tal regimentava encerrava o título XIV da Partida IV das “Siete Partidas Del ReY Don Alfonso el Sábio”, dedicado a “las otras mugeres que tienen los homes que non son de bendiciones”. Aqui se deixa a cópia integral desse texto particular, extraído da edição madrilena de 1807, cotejada pela Real Academia de la Historia:

“LEY III.

Quáles mugeres son las que non deben rescebir por barraganas los homes nobles et de grant linage.

 Illustres personæ son llamadas en latin las personas honradas et de grant guisa, et que son puestas en dignidades, asi como los reyes et los que decenden dellos, et los condes; et otrosi los que decenden dellos, et los otros homes honrados semejantes destos: e testos atales como quier que segunt las leyes pueden rescebir barraganas, tales mugeres hi ha que non deben rescebir, asi como la sierva ó hija de sierva, ni otrosi la que fuese aforrada nin su fija, nin juglaresa nin su fija, nin tabernera, nin regatera nin sus fijas, nin alchueta nin su fija, nin otra persona ninguna de aquellas que son llamadas viles por razon de si mesmas ó por razon de aquellos de que decendieron; ca non serie guisada cosa que la sangre de los nobles homes fuese esparcida nin ayuntada á tan viles mugeres. Et si alguno de los sobredichos ficiese contra esto, si hobiese fijo de tal muger vil, segunt las leyes non serie llamado fijo natural, ante serie llamado espurio, que quiere tanto decir como fornecino: et demas tal fijo como este non debe haber parte en los bienes de su padre, nin es el padre tenudo de criarle si non quisiere”.[4]

“Espúrio” define-se como “bastardo”, e perante o que acima se lê, não se assemelhava à definição de “natural” ou “não legítimo”, facto demonstrável pela leitura do período inicial, da primeira lei, do título seguinte das “Partidas”, onde Alfonso X discorre sobre a noção de “filhos não legítimos”:

“Naturales et non legítimos llamaron los sábios antiguos á los fijos que non nascen de casamiento segunt ley, asi como los que facen en las barraganas, et los fornecinos que nascen de adulterio, ó son fechos en parienta ó en mugeres de órden, et estos non son llamados naturales porque son fechos contra ley et contra razon natural.”[5]

Deslindado este facto, uma outra razão o confirma: a magra quantia legada. É opinião sustentada por Rodrigo Cota González, que “(…) parece la cantidad que se entrega como ayuda a una mujer sin linaje alguno ni gran fortuna”[6]. O autor de “Colón, Pontevedra, Caminha” baseia a afirmação, na equivalência do florim de ouro de Aragão, em relação ao maravedi, moedas correntes no tempo de Enrique IV, estimando aquele valor em 14 000 maravedis. Num ensaio acerca da eventual ligação de Pedro Madruga aos Hospitalários, estabeleci igualmente outra comparação, capaz de aferir a afirmação anterior, referindo então o dote matrimonial de uma nobre casadoura que, à época, podia ascender a um total cinquenta vezes superior![7]

Fica igualmente claro, face à transcrita lei sobre as barregãs adequadas a um homem nobre, que o presente testador optou por tomar a cargo a criação do filho, prescindindo assim da normativa que o desobrigava a tal. Acerca desta matéria, nada mais se pode extrair do referido testamento.

A existência de duas pedras de armas em partes diferentes da fortaleza-solar dos Soutomaior galegos, é a segunda fonte primária a considerar. Situa-se uma no seu muro exterior oeste, assinalando uma poterna; já a outra dá a direita (esquerda do observador) às armas próprias da linhagem, emparelhando com elas sobre o arco de entrada no paço. Exibem elementos heráldicos aparentemente estranhos à linhagem: uma banda, sobreposta por uma cadeia posta em orla. Sem qualquer reserva, trata-se do brasão de armas dos “Zúñiga”, ou “Stúñiga” como em Navarra se conheciam aqueles cavaleiros. O formato do escudo – flancos rectilíneos, ponta acentuada, e duas linhas côncavas a delimitar a parte superior do chefe -, de clara inspiração toledana, esteve em voga na península, ao tempo dos Reis Católicos e de D. Manuel de Portugal, abarcando cerca de quatro décadas (1475-1515 aprox.).

Pensa-se que a fábrica destes exemplares tenha sido ordenada por D. Pedro Álvares de Soutomaior (1468-1485), e poderá datar de princípios dos anos setenta do século XV, quando a fortaleza foi reconstruída, depois da parcial derrocada sofrida às mãos das milicias irmandiñas. Atendendo porém às características artísticas referidas, poderá também ser obra do segundo conde D. Álvaro (1485-1495), ou de seu irmão D. Diego que esteve na posse da fortaleza alguns anos entre 1496 e 1504, por mando dos Reis Católicos após pedido da mãe, a condessa D. Teresa de Távora. Para a maioria dos investigadores, como bem exemplifica a opinião de Jaime Garrido Rodríguez em “Fortalezas de la antigua província de Tuy, servem ainda hoje de prova material capaz de atestar que, embora não consigam referenciá-la documentalmente, decerto a mãe de Pedro de Soutomaior fora uma Zúñiga[8].

Soutomaior / Zúñiga (Soutomaior-Pontevedra)
Soutomaior / Zúñiga (Soutomaior-Pontevedra)

No entanto e face à omissa genealogia coeva, essa presença heráldica nos muros do castelo de Soutomaior pode meramente indiciar – da parte do seu mandante -, uma necessidade assertiva clara: o estabelecimento inequívoco de uma ponte entre a sua ascendência e a linhagem representada. A ser verdadeiro este pressuposto deve concluir-se, sem hesitação, que a origem materna de Pedro Madruga se questionava já, à época do seu regresso à Galiza como herdeiro legítimo da casa que fora do pai e do irmão. Note-se que até então no referido solar, não terá existido qualquer outro signo heráldico representativo de alianças matrimoniais (Aldán/Maldonado, Rodeiro, Mariño, Castro, Noboa, Xuárez/Deza, Biedma/Benavides, Mexia ou Ulloa), senão as faixas enxaquetadas que identificam os de Soutomaior, e só no dealbar do século XIX, como forma demonstrada de posse depois de resolvido o pleito a seu favor pela titularidade do imóvel, os Marqueses de Mós sobrepuseram o seu escudo de armas à entrada principal![9]

Retornando à forma como Fernan Yañez de Soutomaior deixou transparecer no testamento, a baixa condição da manceba, teremos forçosamente que – nesta questão das armas dos Zúñiga – levantar a hipótese de estarmos perante um falso testemunho, eventualmente surgido em 1468, durante todo o processo que conduziu à perfilhação de Pedro pelo irmão legítimo, Álvaro de Soutomaior, para que o bastardo lhe pudesse vir a suceder na casa. Ou posteriormente, na luta judicial por Salvaterra em que os Soutomaior tiveram o apoio dos Zúñiga, ou ainda quando D. Diego aspirava a ser cavaleiro alcantarino e lhe faltava a exigida nobreza pela parte da avó paterna, como adiante se verá.

A terceira fonte primária de relevo para a questão, é o testamento do segundo conde de Caminha, D. Álvaro de Soutomaior, datado de 1491. Nele surge pela primeira vez o suposto nome da mãe de Pedro Álvares de Soutomaior: “(…) de dicho Monesterio de S. Domingo [de Tui] onde está enterrada la dicha D.a Constanza de Zúñiga mi abuela”.[10]Por esta declaração, dir-se-ia afinal tratar-se de uma “dona” nobre, oriunda daquela influente linhagem, informação que condiz perfeitamente, com a inclusão das armas dos Zúñiga no património em que os seus descendentes iriam suceder. Ficam desse modo os investigadores, perante um dilema aparentemente insolúvel: mentia Fernan Yañez de Soutomaior – que nada tinha a perder -, referindo que aquele filho não legítimo era espúrio e não revelando o nome da mãe; ou mentiram os sucessores – que tudo podiam perder, caso a sua origem materna não fosse proveniente da nobreza?

Ou terá razão Suso Vila, ao propor uma versão intermédia de ambos os factos, avançando com a hipótese de Fernan Yañez ter omitido o nome de Constança, em atenção à família daquela que não estaria muito de acordo com a insultuosa relação?[11] Mas se assim fora, haveria necessidade de fustigar o ilegítimo, diminuindo-o à bastardia? Não chegaria nomeá-lo como “natural”, que o seria por direito, evitando da mesma forma, a identificação da mãe?

Pessoalmente e sustentando-me neste último parágrafo, acredito na sinceridade do primeiro testador – procurando desagravar-se às portas da morte -, desconfiando da nobre ascendência apregoada duas décadas mais tarde, porque óbvia em demasia na prosápia das suas intenções.


[1] Archivo Histórico Provincial de Zaragoza. S. IV.92-1/1. 9/11/1440. Leitura feita por Suso Vila e publicada em Vila, S. (2010). A casa de Soutomaior (1147-1532) (1ª ed.). Noia, Galicia: Editorial Toxosoutos, pp. 444-450.

[2] Ibidem, pp. 299.

[3] Ibidem, pp. 297.

[4] Alfonso X. (1807). Las siete partidas del rey don Alfonso el Sabio (Vol. III). Madrid, España: Real Academia de la Historia, pp. 86-87.

[5] Ibidem, pp. 87.

[6] Opinião expressa em correspondência privada com o autor, e devidamente consentida para citação.

[7] Sottomayor, A. P. (19 de Novembro de 2009). Pedro Madruga, Cavaleiro de São João de Rhodes (I). O tempo de provar nobreza. (F. A. Conchouso, Ed.) Obtido em 13 de Abril de 2012, de Colonianos:http://www.cristobal-colon.org/pedro-madruga-cavaleiro-de-são-joao-de-rhodes/

[8] Rodríguez, J. G. (2001). Fortalezas de la antigua província de Tuy (2ª ed.). Pontevedra, Galicia: Diputación Provincial de Pontevedra – Servicio de Publicaciones, pp. 79.

[9] Ibidem, pp. 65.

[10] Real Academia de la Historia. Madrid. Col. Salazar. M-60. Fol. 136. 23/03/1491. O documento foi publicado em Vila, S. (2010), pp. 493-494.

[11] Ibidem, pp. 299.

ESPAÑA Y PORTUGAL EN EL PROYECTO DE COLÓN

Las relaciones en 1485 entre España y Portugal eran tensas, llenas de amenazas y agravios por parte de las dos cortes, el rey portugués  descubre una conjura por parte de los nobles para darle muerte, encabezada por el duque de Braganza  y el duque de Viseu junto con todos los Braganza, estos eran parte de la familia materna de la reina Isabel de castilla, conjura que termina con la muerte de Diego, duque de Viseu, asesinado de una puñalada por el propio rey Juan II de Portugal el 22 de agosto 1483, después de este suceso y descubierta la conjura contra el rey portugués los Braganza huyen de Portugal en busca de refugio y amparo de la reina  Isabel, con lo que el rey portugués acusa a la soberana de Castilla de fomentar conspiraciones contra él y amenaza hacer salir a la “excelente señora” doña Juana “la Beltraneja” del enclaustramiento en que debía estar reducida conforme al convenio de Alcazobas.  Para la reina Isabel aquella amenaza era la más perturbadora que se le podía hacer por la consecuencia que traía consigo, se tuvo que hacer un gran esfuerzo de la diplomacia para mantener los términos de la “hermandad”.

Portugal, en ese entonces era la mayor potencia naval conocida, y tanto las rutas nuevas como otros asuntos relacionados con la navegación pertenecían al acuerdo de “sigilo y secreto” portugués, al que contadas personas tenían acceso. Pedro Álvarez de Sotomayor, Conde de Camiña, por supuesto que estaba incluido en esas selectas personas, Colón dijo que él había estado presente cuando Juan II recibió, en dos ocasiones, información secreta de asuntos navales, dos notas escritas de su puño y letra:

         “El Rey de Portugal envió a Guinea en el año del Señor de 1485 al maestro José su físico y astrólogo, para reconocer la altura del sol en toda Guinea. Este cumplió con todo y dio cuenta al dicho serenísimo rey, cuando yo me encontraba presente, en este año de 1488, en el mes de Diciembre, atracó en Lisboa Bartolomé Díaz, capitán de tres carabelas, que había enviado el serenísimo rey de Portugal a Guinea… Y dio cuenta al serenísimo rey como navegó más allá de lo ya navegado 600 leguas…El viaje lo dibujó y lo escribió legua a legua con una carta de marear, para presentarlo ante los ojos del serenísimo rey. En todo estuve presente.”

Pedro A. de Sotomayor (Pedro Madruga) al ver que las gestiones en su favor ante los Reyes Católicos no daban resultados, y los parientes que tenía en la corte no pudieron hacer que le restituyeran sus dominios ni sus fortalezas, decide trasladarse en 1486 a Salamanca, con el objeto de pedir perdón a los Reyes Católicos y exigir la devolución de sus bienes. Esto fue muy oportuno para los Reyes Católicos, se oponen a restituirle su señorío pero pueden utilizar a Pedro A. de Sotomayor para conocer los secretos de navegación portuguesa, a cambio de nuevos títulos y bienes, el de Sotomayor,  les presenta el proyecto de una nueva ruta hacia las indias, ya que Portugal les está llevando la delantera, ya habían llegado al cabo de Buena Esperanza, los monarcas acceden exigiéndole un cambio de identidad, de ahora en adelante será conocido por su nombre materno Cristóbal Colón, tanto los reyes como otras personas eran consientes de esta doble identidad, convirtiéndolo en secreto de estado, el secretismo que le impusieron a Colón esta en correlación al secretismo de los Reyes en su política internacional.

Portugal había realizado en 1486 una expedición comandada por Fernáo Dulmo y Alfonso de Estreito en busca de las «Siete Ciudades» (tierras pobladas)  se trataba de una acometida perfectamente relacionable con la de Cristóbal Colón. La fecha en la que se sabe que estaba Pedro A. de Sotomayor en Alcalá de Henares, 20 de Enero de 1486, bajo la protección del Duque de Alba, es  exactamente la misma fecha  en que aparece Colón por primera vez y desaparece Pedro A. de Sotomayor (Pedro Madruga), fue cuando aparece Colón en la historia, nada anterior a esta fecha hace referencia a Colón, los datos que se cuentan de Colón anterior a esta fecha fueron escritos después de 1486.

El viaje descubridor iba mucho más lejos que el coste económico, si se encontraba algo, habría de ser mantenido con las armas frente a Juan II, ese era el verdadero coste del proyecto, para los monarcas la autorización del proyecto en 1486 era un imposible, tendrían que mantener la guerra de conquista granadina y el conflicto permanente con el rey de Francia, o con la regente, que prometió que no se daría solución mientras no hubiera devolución del Rosellón y la Cerdaña, se abriría un enfrentamiento bélico con Portugal, era impensable pelear tres guerras al mismo tiempo. Los reyes católicos nombraron una junta de cosmógrafos presidida por Hernando de Talavera, para el estudio del proyecto que presento Colón, esta junta dictaría sentencia negativa contra el proyecto, que además tenían razón, los cálculos de Colón estaban equivocados.

La junta no solo estaba compuesta por cosmógrafos, sino además por altos diplomáticos jurídico-políticos como el presidente, fray Hernando de Talavera que fue el que llevo a cabo las negociaciones  de paz con Portugal en el tratado de Alcazobas, lo que demuestra los tintes políticos que se analizaron.

TRAZADO ALCOZOVAS

El verdadero obstáculo para la realización del proyecto no fue de orden científico pues este no fue tomado en cuenta, tampoco de orden económico pues no represento grandes inversiones, solo queda la dificultad política que se resume a las relaciones con Portugal. Los Reyes Católicos no toman en cuenta el resultado desfavorable de la junta al proyecto de Colón, todo lo contrario le proporcionan ayudas económicas, tuvo el favor real desde 1486 a 1489 y de 1490 a 1491, al parecer los católicos relajan el favor real cuando se a crecentan las relaciones entre la corona portuguesa y la de castilla, los tratos de Colón con los Reyes Católicos se constituían desde su comienzo en problemas de orden de estado, vinculado principalmente con Portugal.

Los Reyes Católicos buscando un enlace matrimonial que los beneficiara políticamente  y en vista que el heredero al trono portugués todavía no había cumplido los quince años, deciden enviar a Nápoles al comendador Jerónimo González en febrero de 1487 a negociar con el rey Ferrante el matrimonio de su hija con el heredero del duque de Calabria, negociación que no fructifico, además al no tener las prometidas entregas territoriales por parte del Sultán de Granada conocido como el Zagal, tuvieron que emprender una gran campaña para conquistar los territorios en manos de musulmanes, lo que menos necesitaban era otro conflicto especialmente la reina Isabel, como el que representaría que el rey portugués sacara de su enclaustramiento a la “excelente señora” Juana la Beltraneja, la solución fue el envío de Sancho Machuca a Portugal en mayo de 1488 a fin de refrescar la memoria del rey portugués  sobre el tratado de Alcazobas  en el que estipula el posible enlace matrimonial del príncipe Alfonso con la hija de los Reyes Católicos, para la solidez de unas relaciones fraternas.

Aquella gestión fue bien recibida por el rey portugués, a la vez que el príncipe Alfonso se acercara a cumplir los quince años, la reina Isabel no pondría ningún obstáculo para la realización del matrimonio.

Colón y su proyecto se convirtieron en un instrumento secundario, al que no se le daría uso inmediato, Colón no se quedo de brazos cruzados ante los acontecimientos, empezó a buscar otras alternativas, envía a su hermano Bartolomé Colón a Londres, para ofrecer su proyecto al Rey Enrique VII, en febrero de1488 Bartolomé se encuentra en la corte inglesa ofreciendo un mapa de la ruta a las indias, mientras el propio Cristóbal Colón a principios de 1488 escribe desde Sevilla al rey portugués y prepara un viaje a Portugal como sabemos por la notoria contestación con la que respondió el propio rey portugués desde Avis, el 20 de marzo de 1488 en donde lo trata de “nuestro especial amigo en Sevilla” y  le ofrece tenerle por servidor, otorgándole un salvoconducto para su estancia en Portugal, Colón también envía una carta a los monarcas de Francia ofreciéndoles su proyecto.

A su regreso de Portugal en 1489 encuentra Colón un distanciamiento de los reyes católicos hacia su proyecto, dejo de tener la importancia que en un principio le atribuyeron, los monarcas ya no le conceden audiencia, Colón trata de presionarlos haciéndoles llegar las cartas de aceptación que ha recibido de los monarcas de Portugal, Inglaterra y Francia.

Las relaciones entre Castilla y Portugal se vuelven cordiales después de firmar en 1490 los acuerdos para la boda de Alfonso, hijo del rey portugués, con Isabel hija de los reyes católicos.

Todo volvería a cambiar tras la inesperada muerte del príncipe Alfonso, el 12 de Julio de 1491 de una caída de caballo, el rey portugués queda completamente consternado al no tener heredero legítimo, ni tampoco tenía esperanza de llegar a tenerlo.

La infortunada viuda doña Isabel fue devuelta a Castilla después de la tragedia, en ese momento Colón vuelve a recuperar el favor real, y vuelve a tener relevancia el proyecto del viaje a las indias.

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MITOS SOBRE CRISTÓBAL COLÓN

Mitos_Colon1[1]Existe documentación y argumentos contundentes sobre el origen gallego de Cristóbal Colón, pero los mitos y falsedades que existen alrededor del Almirante han logrado crear una gran confusión, a lo largo de los años se fueron destruyendo sistemáticamente los originales  de documentos, registros o legajos, así como centenares de expedientes con millares de protocolos de la correspondencia de Colón y de sus hermanos, sustituyéndolos por copias adulteradas, dando lugar a varias falsedades y mitos, entre los más comunes tenemos:

Contrario a lo que se cree comúnmente el Almirante nunca tuvo que demostrar que la tierra era redonda, antes y durante la edad media nadie creía ni afirmaba que la tierra era plana, desde el s. III a. de C., salvo contadas excepciones, ninguna persona educada pensaba que la tierra era plana, el que daría inicio al mito de que en la edad media se creía que la tierra era plana fue el norteamericano Washington Irving, en una obra que escribió sobre Cristóbal Colón, en 1860. Filósofos, científicos y teólogos anteriores como Aristóteles, Ptolomeo, San Agustín, San Isidoro de Sevilla o Santo Tomás, algunos de los más influyentes en el período medieval, ya habían vaticinado que la tierra era esférica. No existe ningún comentario en ningún texto de Cristóbal Colón que aludiera a que hubiera tenido que convencer a nadie de que la Tierra era redonda.

Con este ejemplo se puede ver lo fácil que arraiga un mito o una falsedad, la historia de Colón se ha manipulado, está llena de mitos y falsedades, su origen genovés es otro ejemplo, Colón nunca dijo que fuera genovés, no hablaba genovés, italiano, ni ningún otro dialecto usado en la región, tampoco lo sabía escribir, Colón hablaba y escribía en castellano con giros o palabras gallegas, como se hablaba y escribía en Galicia, las fechas no concuerdan si nació en Génova en 1451 y hasta 1474  no salió de allí, no pudo estar navegando los 23 años que dijo el Almirante que navego, ni tampoco corresponde el tiempo que vivió en Portugal con lo que escribió el propio Colón, tampoco hay documentos que certifiquen que era genovés solo aparece una referencia en la “Institución de Mayorazgo” de 1498, un documento a todas luces falsificado que apareció 80 años después de la muerte de Colón, que ya en su día fue rechazado, su edad tampoco concuerda tenía alrededor de los 70 años al morir, como quedo demostrado en el reciente estudio de su ADN, si fuera genovés o extranjero se le debía exigir  que se naturalizara para recibir los títulos que le concedieron algo que no tuvo que hacer por ser natural de los reinos de Castilla.

La reina Isabel no tuvo que empeñar sus joyas, pese a lo que se cree los reyes católicos casi no aportaron dinero, la expedición no supuso un alto costo a la Corona, el retraso de la expedición se debió a la dificultad política que se resume a las relaciones con Portugal, tampoco fue un obstáculo la junta que nombraron los reyes para el estudio del proyecto, esta junta dictaría sentencia negativa contra el proyecto, y que además tenían razón los cálculos de Colón estaban equivocados, la junta no solo estaba compuesta por cosmógrafos, sino que además altos diplomáticos jurídico-políticos como el presidente, fray Hernando de Talavera que fue el que llevo a cabo las negociaciones  de paz con Portugal en el tratado de Alcazobas, lo que demuestra los tintes políticos que se analizaron, las relaciones en 1485 entre Castilla y Portugal eran tensas, llenas de amenazas y agravios por parte de las dos cortes.

Contrario de la opinión mal fundada no murió ni en la miseria ni nada por el estilo, murió con una cantidad de dinero bastante respetable, como lo demuestra en su testamento, conservando sus privilegios reales, existen muchos más mitos sin fundamentos que se han enquistado en la opinión general, que fomentan la confusión, con los cuales nos extenderíamos demasiado. Lo cierto y demostrable es su origen gallego.

“No soy el primer Almirante de mi familia” (4) – Alfonso Jofre Tenorio, XX Almirante de la Mar (1312-40)

 

Almirantes de la Mar na casa de Tenorio
Almirantes de la Mar na casa de Tenorio

Coincidem os autores desde meados do século XVII, altura em que o padre Felipe de la Gandara na Armas y Triunfos de los hijos de Galicia, afirmou com orgulho regional a naturalidade galega do almirante Jofre Tenorio. Acrescentou ainda que o mesmo viera ao mundo a pouco mais de uma légua da vila de Pontevedra, entre as paredes do castelo de Tenorio, senhorio que então pertencia à sua linhagem. (Gandara, 1662, pp. 278-279)

Dois séculos mais tarde, Fernando Fulgosio na Crónica de la província de Pontevedra, integrada na Crónica General de España publicada em 1867, foi um pouco mais longe, sugerindo inclusive que “(…) Jofre debió de aprender a ser buen marino en la cercana costa y hermosísimas rias, unas á otras inmediatas”. (Fulgosio, 1867, pp. 60)

Cronologicamente o nascimento de Alfonso Jofre Tenorio deve situar-se, com poucas reservas, em finais da década de oitenta do século XIII. Deduzimo-lo através da opinião de José Manuel Calderón Ortega, na sua história d’El Almirantazgo de Castilla, na qual considera a data de 1312 para a eventual atribuição do cargo, baseando-se para tal no texto de uma ordenação de 1318, da responsabilidade do então já almirante Alfonso Jofre Tenorio. (Calderón Ortega, 2003, pp. 35)

Os Anales eclesiásticos y seculares de la Muy Noble y Muy Leal Ciudad de Sevilla, de Diego Ortiz de Zúñiga, por seu turno, mencionam pela primeira vez a figura do almirante Tenorio no ano de 1316, comandando a frota de Castilla em incursões anti-muçulmanas ao longo da costa do norte de África. (Ortiz de Zúñiga, 1795, pp. 55)

Assumindo que a nomeação para o referido cargo não terá ocorrido antes da maioridade plena (25 anos), esta cronologia aponta, no mínimo, para os anos entre 1287 e 1291 para aquele nascimento. Aldonza Jofre de Loaisa, a mãe, era natural de Sevilla e filha de um cavaleiro de Aragón, muito beneficiado nos repartimentos posteriores a 1248, ano da conquista daquela cidade andaluz. É admissível pois, que Aldonza casasse com Diego Alfonso Tenorio, filho de um dos muitos cavaleiros galegos que também participaram nessa campanha militar, e por intermédio desses mesmos repartimentos acabaram por se estabelecer na Andalucia.

Esta informação, associada ao facto do castelo de Tenorio ter sido confirmado por Sancho IV de Castilla, em 1290, na casa dos Benavides, seus primos, e do almirante ter vivido grande parte da sua vida no sul andaluz, onde recebeu de Alfonso XI, em 1333, o senhorio da aldeia costeira de Moguer, torna passível que se lance alguma desconfiança acerca da naturalidade galega de Alfonso Jofre Tenorio. Contudo dois documentos deste último soberano, datados de 1328 e 1329, referem Jofre Tenorio como encomendeiro dos mosteiros beneditinos de San Xoán de Poio e San Salvador de Lerez, demonstrando-se deste modo a sua presença e interesses na região de Pontevedra.

Arca tumular da família de Alfonso Jofre Tenorio (Santa Clara de Moguer)
Arca tumular da família de Alfonso Jofre Tenorio (Santa Clara de Moguer)

Políticamente a casa de Tenorio alinhava com Sancho IV, e mais adiante com sua viúva, Maria de Molina, regente durante a menoridade de Fernando IV e Alfonso XI. Provam-no o homicídio do almirante Paio Gomes Charino às mãos de Rui Peres de Tenorio, quando aquele se passou para o bando opositor à regente, conforme abordado neste blog em “No soy el primer Almirante de mi família” (II). Morto Fernando IV em 1312, Maria de Molina foi de novo chamada à regência, acabando por partilhar com os infantes Pedro e Juan, a tutoria do novo rei de Castilla, Alfonso XI, no momento com pouco mais de um ano de idade! Assim se compreende que então fosse de novo escolhido um homem daquela linhagem, para um cargo de confiança e da maior relevância, como o era o de “Almirante de la Mar”, cuja base de acção se centrava em Sevilla.

Comandando as acções de mar, há notícias de Jofre Tenorio nas campanhas lançadas pelo infante Pedro contra os mouros de Granada, entre 1315 e 1319, ano em que cessaram as hostilidades por morte na Vega, do seu promotor e do infante Juan, seu tio, que o acompanhava. Maria de Molina ficou então, como única tutora do rei, morrendo dois anos mais tarde. Ainda o seu cadáver não arrefecia, e já três candidatos a tutor se digladiavam, atraídos pelo poder que aquela condição oferecia: Felipe, irmão de Pedro; Juan “el Tuerto”, seu primo co-irmão, da casa de Haro; e Juan Manuel, um segundo primo, filho de um irmão de Alfonso X. Posicionou-se o primeiro em Sevilla, o segundo em Zamora, e o último foi chamado a Córdoba.

Castilla viveu então um período conturbado, marcado pelos enfrentamentos destes três partidos, sofrendo a população, obrigada, as agruras e o esforço dos impostos nos respectivos domínios territoriais. Sevilla não foi excepção sob o jugo de Felipe, e a instâncias de um alvará real conseguido pelo senhor de Benavides e Tenorio – seu primo Juan Alfonso, que o infante Pedro nomeara porteiro-maior de León -, pôde Jofre Tenorio tomar o poder naquela cidade, aproveitando uma ausência do infante Felipe.

Mandava o rei que o almirante governasse Sevilla em seu nome, até que o jovem soberano deixasse de estar sob tutela e alí se pudesse deslocar. Devidamente apoiado, Alfonso Jofre Tenorio encabeçou então, no ano de 1325, o levantamento de Sevilla contra Felipe, expulsando da cidade os partidários daquele, entre os quais se encontravam os Guzmán de Sanlúcar de Barrameda, os Ponce de León de Marchena, os Lacerda e o alcaide-maior Fernández de Saavedra!

Meses depois Alfonso XI atingiu a maioridade, passando de imediato a desenvolver acções de pacificação do reino, entre as quais se conta a entrega de Sevilla aos cidadãos e concelho, e a confirmação das suas isenções e privilégios. Para lá se deslocou em 1327, conforme prometera, passando desde logo à organização de nova campanha contra os muçulmanos do reino de Granada.

Calderón Ortega recolhe com sabedoria, a importância do comando de Jofre Tenorio para o sucesso  dassas acções militares, cabendo-lhe o bloqueio das comunicações marítimas entre España e o norte de África. Oportuna por diversas vezes, a intervenção do almirante permitiu que Alfonso XI conseguisse, por fim, montar cerco à praça de Gibraltar em Julho de 1333, no que resultou um vantajoso acordo de tréguas por quatro anos com o sultão de Granada, negociado em Agosto, revisto logo em Outubro e assinado definitivamente em Fez, a 26 de Fevereiro de 1334. (Calderón Ortega, 2003, pp. 36-38)

Santa Clara de Moguer
Santa Clara de Moguer

Como recompensa pelos “(…) buenos servicios, que feicisteis al rey don Fernando, nuestro padre, que Dios perdone, e feicistes e facedes a nos de cada dia (…)” recebeu Alfonso Jofre Tenorio, no rescaldo de Gibraltar, o senhorio da aldeia de Moguer, porto natural de mar no golfo de Cádiz, perto da fronteira portuguesa. Nos anos consequentes, juntamente com Elvira de Velasco, sua mulher, fundaria duas instituições religiosas naquela povoação: o convento do Corpus Christi, e o mosteiro de Santa Clara.

Começavam entretanto as hostilidades do rei português Afonso IV, indignado pela forma como Alfonso XI se dedicava à sua amante – a sevilhana Leonor de Guzmán – ignorando e prejudicando a família legítima nascida do casamento com sua filha Maria de Portugal. O conflito estalou na Extremadura com o cerco a Badajoz, e logo se estendeu à Andalucia. No entender de Calderón Ortega, esta curta guerra que durou entre meados de 1336 e finais de 1339, foi essencialmente naval. Badajoz foi recuperada pelas hostes andaluzas e preparou-se logo uma armada de navios e galeras, capaz para a demanda da costa portuguesa. (Calderón Ortega, 2003, pp. 39)

Terminado o Inverno, trinta galeras portuguesas partiram de Lisboa, rumo ao sul, comandadas pelo almirante Manuel Pessanha, e cerca de quarenta fizeram-se ao mar, desde Sevilla, com Jofre Tenorio à cabeça. Uma violenta tempestade impediu o recontro, regressando ambas as armadas à base, com severas perdas e avarias, obrigando a prolongadas reparações. No começo do verão, voltaram a fazer-se ao mar, consideravelmente reduzidas em cerca de dez unidades cada. Encontraram-se ao largo do cabo de São Vicente, tendo essa batalha naval sido registada pelos cronistas de ambas as coroas, e analisada já no século XX pelo professor Armando Saturnino Monteiro, capitão-de-mar-e-guerra da armada portuguesa.

Segundo revela no seu trabalho de abordagem às Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, este abalizado investigador considera que a vitória castelhana aconteceu, por conta de certa estratégia de combate, já anteriormente utilizada por Jofre Tenorio, com êxito, contra os muçulmanos. Referia-se por certo ao ano de 1328, e à derrota infligida à frota conjunta de vinte e duas galeras preparada pelos sultões de Granada e Marrocos.

“Atacando impetuosamente, as galés portuguesas conseguiram ao fim de pouco tempo render nove das contrárias. Depois houve qualquer coisa que fez inverter o rumo dos acontecimentos. Uma hipótese a considerar é que tenham chegado as naus castelhanas (a armada era composta por galés, e naus para apoio logístico) que tenham começado a abalroar algumas das nossas galés que estavam atracadas às inimigas, afundando umas tantas, e que tenham aferrado outras, lançando-lhes para dentro, do alto dos seus castelos, grande quantidade de pedras, barras de ferro, setas e virotões”. (Saturnino Monteiro, 1989, pp.  )

O saldo final revelou-se favorável ao almirante Tenorio: seis galés afundadas e oito capturadas, entre as quais a nave de Pessanha. Dias mais tarde, em clima de apoteose, vencedores e prisioneiros subiam o Guadalquivir em direcção a Sevilla, onde o próprio rei fez questão de os receber e felicitar. Ortiz de Zúñiga com brio pátrio, refere mesmo que o estandarte português pendia do barco de Manuel Pessanha, que assim o trazia arrastando pela água! (Ortiz de Zúñiga, 1795, pp. 92)

Junto de Alfonso XI testemunharam o acontecimento, o senescal de França e o arcebispo de Reims, embaixadores daquele reino, assim como o bispo de Rodes, delegado da Santa Sé, encarregados de procurar a paz entre os reinos ibéricos. Conseguiram-no em Dezembro de 1339, data em que Alfonso XI assinou tréguas, sendo que as últimas acções desta guerra levadas a cabo por Jofre Tenorio, foram o ataque a Castro-Marim, a destruição dos arsenais de Tavira, e o saque às vilas de Faro e Loulé.

Grosso modo, a referida trégua permitiu a Castilla enfrentar nova ameaça muçulmana, que levaria no mar à batalha de Algeciras, e por terra à célebre batalha do Salado, ocorridas respectivamente em Abril e Outubro de 1340. Revelou-se Algeciras a ultima acção de Jofre Tenorio, ingloriamente morto numa acção suicida, enfrentando sessenta galeras e mais de duas centenas e meia de navios diversos, comandando a frota de Castilla, que mais não ascendia do que a trinta e duas galeras e seis naus! A isso o moveu o orgulho de casta, quando por um revés estratégico, se viu confrontado com as dúvidas de Alfonso XI acerca do valor e perícia do seu almirantado.

Batalha naval de Algeciras (4 de Abril de 1340)
Batalha naval de Algeciras (4 de Abril de 1340)

Morreu Alfonso Jofre Tenorio nesse 4 de Abril de 1340. Afundada no mediterrâneo ou presa dos infiéis, igualmente se desfez a frota de Castilla. Fazendo fé em Calderón Ortega, os feitos e sacrifício final do almirante Tenorio, tornaram-no desde então, o “más famoso de los Almirantes de Castilla”. (Calderón Ortega, 2003, pp. 40-43)

Cerca de duas décadas mais tarde, a casa de Tenorio, junto com a de Benavides, passava por manda testamentária, do supracitado primo Juan Alfonso, ao sobrinho daquele, Mem Rodrigues de Biedma, homem poderoso, herói no Salado (1340), e derrotado em Guadix contra Aragón (1362), preso no rescaldo de Najera ao lado de Enrique de Trastâmara (1367), e logo vencedor nos campos de Montiel (1369), que marcaram o fim da guerra civil castelhana. Os relevantes serviços prestados ao novo rei Enrique, valeram-lhe a mercê do senhorio de Santisteban del Puerto e a confirmação de todos os restantes estados que já detinha: Biedma, Benavides e Tenorio. Este último ficaria reservado como dote matrimonial da filha Elvira Mendes, casada já depois da sua morte, ocorrida em 1381.

A aliança com a vizinha casa de Soutomaior, somada à ligação desta aos negócios do mar, motivou o casamento de Elvira Mendes com o jovem Pedro Álvares de Soutomaior, decorreriam os anos finais do século XIV. Provam-no o nome e currículo de alguns dos cunhados: Álvaro Perez de Guzmán, Diego Hurtado de Mendoza e Alfonso Enríquez, almirantes de Castilla entre 1391 e 1429. Dos três, Alfonso Philippot escolheu o do meio para compor os seus cinco almirantes. Mas da mesma forma que o Mendoza, se aparentavam o Guzmán e o Enríquez, sendo que cada um deles representava as respectivas linhagens (Mendoza, Guzmán e Enríquez), e nunca a casa de Soutomaior.

Através do casamento daquela Elvira Mendes com Pedro Álvares, avô do conde de Caminha, entrou o senhorio de Tenorio na linhagem dos Soutomaior, tornando-se inclusivamente um dos cenários que posteriormente, mais fama granjearam ao bastardo de Soutomaior. Como facilmente se deduz, Pedro Madruga, enquanto simples habitante da região de Pontevedra, por certo seria conhecedor da história e fama de Alfonso Jofre, cujos feitos foram contados por longo tempo nas rias galegas. Por outro lado, enquanto herdeiro da casa de Tenorio, inevitavelmente teria aquele almirante por seu familiar.

 

´Tras un peritaje caligráfico 80 expertos indican que Colón y Pedro Madruga son la misma persona´

http://www.farodevigo.es/portada-pontevedra/2013/10/06/peritaje-caligrafico-80-expertos-indican/890877.html

“Toda la documentación, todo lo que dijo e hizo el navegante, todos los hechos coinciden en que eran el mismo”

MODESTO MANUEL DOVAL – Escritor e investigador

277347681[1]Cristóbal Colón es un personaje que fascina a historiadores e investigadores de todo el mundo. Es el caso del mexicano de origen gallego Modesto Manuel Doval, que el próximo martes presentará en Pontevedra su nueva obra, “Cristóbal Colón. Señor feudal gallego”, un trabajo en el que ahonda en la teoría del origen gallego del almirante y da un paso más al asegurar que además fue un importante aristócrata de la época.

-¿Cristóbal Colón y Pedro Madruga fueron la misma persona?

-Si, sin duda, toda la documentación, todo lo que dijo e hizo Cristóbal Colón, todos los hechos coinciden en que eran la misma persona. Es más, se hizo un peritaje caligráfico y tras el más de 80 peritos expertos indican que Cristóbal Colón y Pedro Madruga son la misma persona.

-Además de que comparten escritura ¿qué otros argumentos respaldan esa teoría?

-La teoría se inició con Celso García de la Riega, sabemos que Colón era gallego porque escribía en el gallego de aquella época, con los mismos giros, y por la toponimia, porque los nombres de los sitios que fue bautizando en el descubrimiento constituyen un calco de las Rías Baixas, de las costas pontevedresas, de hecho hay más de 200 lugares que coinciden. Además en ese momento el único sitio del mundo en donde existía el apellido Colón tal cual, sin que fuese Colombo ni Colóm ni nada por el estilo era aquí en Pontevedra. Además se sabe que Cristóbal Colón era noble, un personaje que era recibido por los reyes, tanto los castellanos como los portugueses, franceses, ingleses, todos lo trataron como noble antes, durante y después del descubrimiento, tanto a el como a su hermano Bartolomé y en esa época ningún plebeyo podría tener acceso a esas cortes, llegar a donde llegó Colón, si no era de origen noble. Entonces había que buscar un noble gallego que tuviera tratos que tuviera tratos con la corte portuguesa y castellana, y en 1976-77 Alfonso Philippot enlaza Pedro Madruga con Cristóbal Colón y todo empieza a tener forma.

-¿Compartían amigos?

-Los amigos de Pedro Madruga son los amigos que después tendría Cristóbal Colón, los enemigos de Cristóbal Colón son casualmente los enemigos de Pedro Madruga, los sitios donde dijo Cristóbal Colón que estuvo son los mismos que sabemos que estuvo Pedro Madruga, hay muchísimos datos que respaldan esa total coincidencia, datos avasalladores como que por ejemplo Cristóbal Colón siempre protegió a los hijos de Pedro Madruga, se preocupó por todos sus hijos y ya en la época de Carlos V se afirma que el hijo de Pedro Madruga era hijo de Cristóbal Colón, hay muchísimas coincidencias.

-Pedro Madruga muere en extrañas circunstancias.

-Muy extrañas, supuestamente muere en 1486, pero más que morir desaparece porque no hay entierro, no se encuentra el cuerpo, nadie lo reclama, y casualmente el día que Cristóbal Colón visita a los Reyes Católicos está documentado que es el mismo día que Pedro Madruga visita a los monarcas, en la misma corte, en el mismo día y a la misma hora, estuvieron sentados en el mismo banco (sonríe). Después desaparece misteriosamente y no se sabe nada de él pero curiosamente aparecen más de 100 documentos que lo dan por vivo hasta 1506. Se trata de reclamaciones de dinero, pleitos etc donde se menciona a Pedro Madruga como una persona viva.

-¿Por qué habría cambiado su identidad, si los reyes sabían quien era realmente? ¿Para qué promover tanta confusión sobre su identidad?

-Pedro Madruga había sido uno de los enemigos más importantes de los Reyes Católicos pero en ese momento ya no había problemas, los reyes sabían perfectamente quien era Cristóbal Colón pero públicamente no podían darle todas las posesiones que le dieron llamándose Pedro Madruga porque el resto de la nobleza se les echaría encima, después de que Madruga hubiese sido un enemigo declarado. La clave es que Pedro Madruga conocía los secretos mejor guardados de la navegación portuguesa, era un experto navegante (algo que muy poca gente sabe), entonces los reyes lo que hicieron fue decirle que no le devolverían el condado de Sotomayor pero a cambio de lo que te daré me entregarás esos secretos de la navegación de Portugal. Y ahí empezaron las negociaciones, aclarando que le darían mucho, concesiones que no se las habían dado a nadie, a cambio de que esos secretos fuesen para Castilla, se ocultaría el nombre de Madruga, se usaría el apellido materno etc. De hecho hay varios autores contemporáneos a Colón que lo llaman Pedro Colón, en la corte y también en Portugal.

-¿Cómo había sido hasta entonces la vida de Pedro Madruga?

-Era hijo natural del señor de Sotomayor, que lo mandó a estudiar con Esteban de Soutelo, su tío. Los Soutelo no están emparentados para nada con los Sotomayor, en cambio los Colón si están emparentados con los Soutelo. Lo manda al monasterio, de ahí sale a los 14 años, se hace a la mar y se marcha a Portugal y aprende todo de la navegación de la mano de su hermano, Bartolomé Colón, casualmente una persona cuya vida es tan misteriosa como la de su hermano, pero ahora se sabe que Pedro Madruga tenía un hermano de padre y de madre, que se llamaba Joao Goncalves de Sotomayor, que encaja totalmente, absolutamente, con Bartolomé Colón. Joao Goncalves era hijo del mismo padre y de la misma madre, que nosotros creemos que era Constanza de Colón, la madre de Pedro Madruga y nacida en Poio.

-Su libro recoge las últimas investigaciones sobre la teoría coloniana ¿el peritaje de los escritos de Madruga y Colón es el más reciente avance?

-Además de ello hay varios detalles, por ejemplo que se hablaba de un centenar de topónimos de la ría de Pontevedra, nombres con los que Colón fue bautizando localidades en el descubrimiento, pero gracias a Portos del Estado, que sacó hace un par de meses un mapa con las coincidencias de los nombres de la ría, hoy sabemos que son casi 200 topónimos, solo un marinero muy experimentado, un gran conocedor de las rías gallegas, podría saber tal número de nombres.

“No soy el primer Almirante de mi familia” (3) – Álvaro Paes de Soutomaior, XIII Almirante de la Mar (1300-03)

Almirantes de la Mar na casa de Soutomaior
Almirantes de la Mar na casa de Soutomaior

Não é possível ainda hoje identificar com precisão quem foi este Álvaro Paes de Soutomaior que, entre os anos de 1300 e 1303, durante o reinado de Fernando IV, recebeu o cargo de “Almirante de la Mar”.

Os antigos livros de linhagens não mencionam este cargo a ninguém da casa de Soutomaior, nem mesmo a um hipotético filho do almirante Paio Gomes Charino, uma vez que há registos de uma sua filha se chamar Teresa Paes de Soutomaior, e conhecer-se a existência de um Álvaro Paes, irmão desta. Este último tem sido apontado como a melhor hipótese para a sua identificação, mas para tal é necessário que existissem na mesma geração, dois filhos de Charino – um legítimo e o outro não – ambos com os mesmos patronímicos: Álvaro Paes.

Um deles, o ilegítimo, apenas dispensado da sua bastardia por bula papal de 1332, está actualmente bem identificado como sendo o franciscano bispo de Silves (Portugal), entre 1334 e 1352. Como data de referência para o seu nascimento é apontado o ano de 1270, e o local da sua educação primeira, a corte de Sancho IV, de quem Paio Gomes Charino era grande valido. Entre finais do século XIII e princípios do seguinte, Álvaro Paes encontrava-se na Universidade de Bolonha, cursando direito civil e canónico, logo muito longe de poder ser identificado com o referido “Almirante de la Mar”.

Por isso se conjectura que Paio Gomes Charino tivesse um outro filho, legítimo, chamado Álvaro Paes, e que usasse do apelido Soutomaior, como a sua irmã Teresa. Cronologicamente a identificação faz sentido; no espaço físico também, mas deverá ser equacionado um facto: Charino fora assassinado a mando da regência, por apoiar a facção que se opunha à coroação de Fernando IV, comprometendo desse modo a restante linhagem, não sendo pacífica a nomeação de um seu filho para o cargo de almirante, ainda em tempo da regente Maria de Molina.

Castelo de Soutomaior (Soutomaior)
Castelo de Soutomaior (Soutomaior)

Recentemente, o historiador tudense Suso Vila, publicou um volumoso estudo inteiramente dedicado à Casa de Soutomaior (1147-1532), onde deixa o alerta para essa identificação, preferindo atribuí-la a Álvaro Paes, senhor de Soutomaior nos reinados de Fernando III e Alfonso X, senhorio em que sucedera a seu pai durante a década de vinte do século XIII. (Vila, 2010, pp. 26)

Seguiu a genealogia tradicional da linhagem, copiada sem questões desde o Conde D. Pedro, mas na qual se verificam algumas incongruências cronológicas, nomeadamente no que se refere aos irmãos daquele Álvaro Paes. Atendendo à opinião do padre Francisco Ruano na sua magna obra acerca da Casa de Cabrera en Córdoba, tanto Mem Paes como Rui Paes de Soutomaior, estiveram na conquista de Córdoba em 1236, acompanhando seus tios Pedro e Suero Mendes. A todos couberam “repartimentos” que viriam a dar origem aos senhorios de “El Carpio” e de “Torre de Mendo Paes”. (Ruano, 1779, pp. 162-163)

O chefe da linhagem fora um dos heróis de Navas de Tolosa (1212), Paio Mendes Sorredea, senhor de Soutomaior, “preciado tanto de los Reyes i altos señores, que cada uno le queria consigo” – conforme opinião registada no Livro de Linhagens do Conde D. Pedro. Não foi a Córdoba por já ter morrido, uma vez que em 1231, seu filho Álvaro Paes estava já à frente das terras e castelo de Soutomaior, na Galiza, reinando Fernando III “o Santo”. Sendo cabeça de linhagem de solar conhecido, Álvaro Paes de Soutomaior não acompanhou aqueles seus irmãos, Mem e Rui Paes, à aventura de Córdoba.

É precisamente a identificação deste Rui Paes que lança alguma confusão na genealogia proposta pelo Conde D. Pedro, pois a ele se deve atribuir a titularidade, em 1205, do castelo de Puebla de Eca, na região de Almazán (Soria), facto documentado e apresentado por Angél Almazán de Gracia na Revista de Soria. No entanto, essa realidade inviabiliza que aquele Rui Paes seja o mesmo, morto na batalha de Paxarón contra D. Diego López de Haro, em 1289, “aonde el iva por Caudillo del Rey Don Sancho de Castilla”, conforme atesta o já mencionado Livro de Linhagens. Assim sendo, Rui Paes de Soutomaior teria morrido em combate… com cerca de cem anos! Pela mesma ordem de ideias, e seguindo a Suso Vila, teríamos o seu irmão Álvaro Paes, Almirante de la Mar, a exercer o cargo com perto de cento e vinte anos! (Almazán, 1995, Nº 9, pp. 20; Vila, 2010, pp. 26)

Desse modo fará sentido considerar-se um segundo Rui Paes, filho do anterior, o que explicaria a confusão cronológica estabelecida. A este segundo Rui Paes de Soutomaior deveria atribuir-se a identificação com o adiantado-maior da Galiza, morto em 1289 ao serviço de Sancho IV, provavelmente já sexagenário. Também só dessa forma seria cronologicamente possível, que Teresa Rodrigues, filha daquele, pudesse contrair um segundo matrimónio com Garcia Lasso de la Vega “o Velho”, valido do rei Alfonso XI (1312-1350), chanceler, adiantado e justiça-maior de Castilla, falecido em 1326.

Não há hoje forma de estabelecer documentalmente, qual o parentesco deste Garcia, com o almirante Pedro Lasso de la Vega, que ocupou o cargo em 1278 juntamente com Pedro Martinez de Fe. Nessa época, segundo explica M. Jorge Parada Mejuto, co-existiam por vezes dois titulares do cargo: um responsável pela costa atlântica, comandando a frota de barcos “mancos”, ou seja os navios à vela – o Almirante de la Mar -; e o outro pela zona mediterrânica, comandando as galeras da Coroa – o Almirante de Sevilla. Pedro Lasso estaria encarregue da primeira, uma vez que a armada que foi tragicamente derrotada em Algeciras no ano de 1279, navegava sob o comando de Martinez de Fe. Cronologicamente podemos aceitar aquele Pedro Lasso como pai ou tio do “velho” Garcia acima mencionado, o que pode representar uma aliança da casa de Soutomaior com um dos primeiros titulares do cargo de “Almirante de la Mar”. (Parada Mejuto, 2007, pp. 143-144)

Contudo o Conde D. Pedro apresentou Rui Paes como irmão de Álvaro Paes, apesar de induzido em erro no tempo cronológico. Consequentemente esse parentesco deverá ser tido em conta, levando-nos de novo aos filhos de Paio Gomes Charino, dos quais se conhecem dois com esses nomes. Sendo assim, a necessária existência do segundo Rui Paes torná-lo-ia ou no filho do primeiro do mesmo nome, ou no filho do almirante Charino!

Pelo que fica dito, e não se tratando de nenhum filho de Paio Gomes Charino, apenas há conhecimento de mais dois Álvaro Paes na casa de Soutomaior, cronologicamente compatíveis com a nomeação para “Almirante de la Mar” no dealbar do século XIV: o neto do seu homónimo acima referido, a quem o Conde D. Pedro chama Álvaro Peres; ou o neto do conquistador de Córdoba Mem Paes de Soutomaior.

Castelo de Fornelos (Crecente)
Castelo de Fornelos (Crecente)

Quanto ao primeiro, Suso Vila é claro quando refere com estranheza, a inexistência de documentação coeva onde seja mencionado. Como tal, deveremos cingir-nos à sequência onomástica atribuída pelo Livro de Linhagens, que a um filho de Álvaro corresponde o patronímico “Álvares” e a um filho de Pedro um patronímico “Peres”. Atrevemo-nos a contestar esta asserção do Conde D. Pedro, até porque na sucessão de gerações conhecidas na casa de Soutomaior não se repete o patronímico “Peres”, antes sim o “Paes”, oriundo de Paio Mendes, o das “Navas de Tolosa” e primeiro que usou a identificação da linhagem dos de “Soutomaior”. Para mais, o próprio Suso Vila propõe uma documentada Ana Paes de Soutomaior, para irmã daquele. Também outro autor, Alfonso Vázquez Martinez, que publicou no Boletim do Museo Arqueolóxico de Ourense um estudo dedicado ao Castillo de Fornelos (Creciente) – senhorio herdado pela mulher daquele suposto Álvaro Peres – se lhe refere com o patronímico de “Paes”. (Vila, 2010, pp. 27-28; Martinez, 1948, vol. IV, pp. 151, 156)

A ser correcta a proposição anterior, teríamos um Álvaro Paes à cabeça das terras e castelos de Soutomaior e Fornelos em finais do século XIII, com cerca de quarenta anos de idade, maduro o suficiente para assumir a responsabilidade do referido cargo. Para mais, um dos seus filhos, Paio Sorredea, viria a casar com Juana, filha de Diego Gomez de Castañeda, Almirante de la Mar no ano de 1311, demonstrando essa aliança, mais uma vez, a forte ligação da casa de Soutomaior aos detentores do almirantado, pois já Pedro e Nuno Diáz de Castañeda, respectivamente pai e tio de Diego, tinham representado o mesmo cargo em simultâneo, por sucessão a Charino, entre 1286 e 1291, conforme estudo acerca do Almirantazgo de Castilla: Historia de una institución conflictiva (1250-1560) da autoria de José Manuel Calderón Ortega.

Esse autor esclarece ainda o importante papel desempenhado por Álvaro Paes de Soutomaior, enquanto regulador da instituição do almirantado, sendo da sua responsabilidade um instrumento legal conhecido como “Ordenamiento de los Guindajes”, datado de 4 de Fevereiro de 1302. Segundo Calderón Ortega, naquele texto recolhem-se os direitos económicos pertencentes ao cargo de “Almirante de la Mar”, e referentes à carga e descarga de navios nos portos da Andalucia. Seria necessário um homem com bastante experiência nos meandros do comércio marítimo de então, para ordenar com mérito todo esse conjunto legislativo. Esse facto, por si só, prova que já na transição entre os séculos XIII e XIV, a casa de Soutomaior se encontrava ligada aos assuntos do mar, não só pela sua localização estratégica, como pelo domínio que exerciam os seus membros sobre as rias baixas galegas. (Calderón Ortega, 2003, pp. 31-32, 202)

Não cabendo a este senhor de Soutomaior a atribuição do referido cargo, resta apenas uma outra hipótese identificativa: um seu primo segundo, também chamado Álvaro Paes de Soutomaior, filho de outro Paio Mendes e neto daquele Mem Paes, conquistador de Córdoba em 1236, já referido. Ramo segundo da casa de Soutomaior, para além do senhorio da Torre de Mendo Paes naquela cidade andaluz, mantinha na Galiza todo o território vizinho a Soutomaior, entre os rios Otaivén e Verduxo, na faldas da serra do Suido, então referenciado pelo nome de Pedreira, e hoje conhecido por San Martiño de Verducido, no município pontevedrês de A Lama.

Este Álvaro Paes a que nos referimos, cumpre igualmente a cronologia adequada, sendo homem entre os trinta e quarenta anos na transição do século XIII para o XIV. Seu irmão primogénito chamou-se Mem Paes de Soutomaior e foi o progenitor do ramo dos mestres da Ordem de Alcântara, condes de Belalcázar e duques de Bejar. Sua mãe, Inés Martins, deveria pertencer à família Topete, uma vez que um dos seus irmão se chamou Martim Topete. Este por seu turno, deverá ter sido o progenitor da linhagem dos Topete que se radicou em terras alcantarinas, a instâncias dos parentes D. Juan e D. Gutierre de Sotomayor, por quem tiveram comendas da referida ordem.

Revelador será sem dúvida, o facto destes Topete, mesmo fora da Galiza e já radicados na Extremadura de Castilla, continuarem ligados aos assuntos do mar, como o prova a documentação existente acerca de Gonzalo Sánchez Topete, tio do mestre de Alcântara D. Gutierre de Sotomayor, a quem o rei Juan II de Castilla (1406-1454) nomeou “Capitán- General de la Mar”. O recurso à análise heráldica, evidencia e sistematiza igualmente esse facto. Senão vejamos: o primeiro brasão que se identifica com a linhagem dos Topete, é claramente enraizado no tronco comum com os Soutomaior – um campo faixado de sete peças, a primeira e a última de negro, a terceira e quinta de prata e as segunda, quarta e sexta axadrezadas de ouro e vermelho de duas ordens. O segundo brasão é posterior e trata-se de uma evolução do primeiro, passando o campo a ser de prata e as três faixas axadrezadas a ser ondadas de azul, óbvia referência ao tema marítimo. Finalmente o acima mencionado capitán-general de la Mar, recebeu do rei Juan II um escudo cortado – no primeiro uma gávea de negro atravessada por cinco setas da mesma cor, e no segundo um ondado de prata e azul.

Necessário se torna concluir, perante o que acima fica dito, que o XIII Almirante de la Mar, Álvaro Paes de Soutomaior, foi oriundo da região de Pontevedra, onde terá nascido na segunda metade do século XIII, filho da casa de Soutomaior, ou das colaterais de Verducido ou de Rianxo.

A relevância social do almirante nessa época, foi analisada por Calderón Ortega e serve para atestar que a memória da existência de tal cargo numa linhagem não seria esquecido, decerto, antes de três ou quatro gerações, senão mais. Baseia-se aquele investigador no texto das Partidas de Alfonso X, para determinar que o cargo de almirante era de grande consideração, gerava importantes ganhos e popularidade. Deveria ser ocupado por um competente marinheiro (“sabidor del fecho de la mar e de la tierra”), de nobre estirpe (que sea de buen linaje, para aver vergença”), valente e capaz de exercer a liderança num ambiente difícil e perigoso como é a guerra no mar. (Calderón Ortega, 2003, pp. 193; Alfonso X, 1807, tomo II, pp. 259-260)

É de crer que Álvaro Paes de Soutomaior possa ter morrido na primeira ou segunda década do século XIV. Na segunda metade do século seguinte, quando Pedro Álvares de Soutomaior, futuro conde de Caminha tomou a chefia da casa que fora de seu irmão, tinham decorrido quatro gerações e quase século e meio. Forçosamente se transmitiria ainda, para glória da linhagem, a memória de um Álvaro Paes de antanho, que fora “Almirante de la Mar”. A ser Pedro Madruga o almirante Cristóbal Colón, certamente saberia que “não era o primeiro almirante da sua família”.

CRISTÓBAL COLÓN, DE ORIGEN GALLEGO

Para  Galicia que se reconociese que Colón es gallego  sería un orgullo, supondría un impulso tanto histórico como turístico, debido a que Colón es uno de los tres personajes más importantes de la historia.

Existe documentación y argumentos contundentes sobre el origen gallego de Cristóbal Colón, pero los mitos y falsedades que existen alrededor del Almirante han logrado crear una gran confusión, a lo largo de los años se fueron destruyendo sistemáticamente los originales  de documentos, registros o legajos, así como centenares de expedientes con millares de protocolos de la correspondencia de Colón y de sus hermanos, sustituyéndolos por copias adulteradas, dando lugar a varias falsedades y mitos.

Es sorprendente que se tome más en cuenta a la hora de hacer conclusiones a cualquier  autor, antes que al mismo Cristóbal Colón que dejo su versión de los hechos, siendo el autentico protagonista de los acontecimientos.

La historia de Colón se ha manipulado, su origen genovés es un claro ejemplo, Colón nunca dijo que fuera genovés, no hablaba genovés, italiano, ni ningún otro dialecto usado en la región, tampoco lo sabía escribir, Colón hablaba y escribía en castellano con giros o palabras gallegas, como se hablaba y escribía en Galicia, las fechas no concuerdan, si nació en Génova en 1451 y hasta 1974  no salió de allí, no pudo estar navegando los 23 años que dijo el Almirante que navego,  tampoco corresponde el tiempo que vivió en Portugal con lo que escribió el propio Colón, y no hay documentos que certifiquen que era genovés solo aparece una referencia en la “Institución de Mayorazgo” de 1498, un documento a todas luces falsificado que apareció 80 años después de la muerte de Colón, que ya en su día fue rechazado, y declarado falso, su edad tampoco concuerda, tenía alrededor de los 70 años al morir, como quedo demostrado en el reciente estudio de su ADN, si fuera genovés o extranjero se le debía exigir  que se naturalizara para recibir los títulos que le concedieron, algo que no tuvo que hacer por ser natural de los reinos de Castilla, como la misma reina Isabel la Católica confirma.

La tesis que demuestra que Cristóbal Colón nació en Galicia empezó a tomar relevancia a finales del siglo XIX, gracias a un historiador Pontevedrés de nombre Celso García de la Riega, la teoría se baso en:

1-  El apellido que utilizaba Cristóbal Colón y sus hijos siempre fue Colón, nunca Colombo, Colom, etc.,  Pontevedra era el único lugar del mundo donde se encontraba el apellido Colón, siendo este el único apellido que utilizaba en sus cartas dirigidas a sus hijos y hermanos; el único apellido que utilizaban en todos los documentos oficiales; así lo escribió en su testamento; así lo llamaban los Reyes Católicos y el rey de Portugal; incluso desde el Vaticano, el Papa Alejandro VI lo llamaba Colón; ¡nunca con ningún otro apellido!;  la mayoría de los Colón de Pontevedra  eran Mareantes, existen documentos desde 1428 que lo avalan. En la basílica de Santa María de Pontevedra  hay una inscripción pétrea que dice que “Juan Colón” hizo una capilla. El propio Almirante decía que la forma de vivir de sus antepasados fue el de mercaderías por la mar.

2- Colón escribía en gallego. Sus escritos  como bitácoras, cartas y demás, las escribió con palabras galaico-portuguesas y muchas netamente gallegas, diferentes a las portuguesas y castellanas; como ejemplo: “Despois” (palabra gallega usada en la época y en la actualidad, en castellano se escribía después y en portugués após). Escribía en gallego “Saliron” (en castellano se escribía salieron y en portugués saíron). Escribía en gallego “Foy” (en portugués se escribía foe, y en castellano fue)…… y así hasta más de 300 palabras. Cuando no encontraba el término especifico en castellano, empleaba uno gallego: “A longo da costa”(a lo largo de la costa), “Anduvo a la relinga” (como en la actualidad siguen empleando los marineros gallegos para referirse al viento contrario), “ala corda”, etc.

3- La Toponimia; Los nombres que utilizo Colón para bautizar las tierras descubiertas coinciden por centenares con los nombres de las costas gallegas especialmente con la costa de Pontevedra, de ninguna otra región aparecen tantos nombres en común como los de Galicia, es evidente que Colón conocía perfectamente el mar, las rías y la geografía del entorno gallego más específicamente la ría de Pontevedra. Colón bautiza la primera isla como San Salvador, el segundo nombre que utilizo Colón fue el de Santa María de la Concepción  que es el nombre de la Copatrona de San Salvador de Poio, muchos de ellos, tienen geográficamente un parecido asombroso, como el mar de Santo Tome,  en Santo Domingo con Santo Tome del mar de Cambados en Pontevedra, sus contornos son tan  parecidos que se pueden superponer uno encima del otro, o como Porto Santo en las Antillas que tiene un parecido asombroso con el Porto Santo de San Salvador de Poio.

Todas estas toponimias son de fácil comprobación, comparando mapas de las zonas descubiertas y mapas de las rías gallegas, por ejemplo se pueden citar: Río Xallas en Jamaica, que solo existe en Galicia, Punta Muros (Venezuela/Ría de Muros. A Coruña), Río Minho  (Jamaica/ río de Galicia), Puerto del Sol (Cuba/Isla de Onza. Pontevedra), Punta Aguda (Isla Tortuga/Bueu. Pontevedra), Punta del cabo (Cuba/ Cesantes. Pontevedra), Punta do Ferro (Rep. Dominicana/Ría de Pontevedra), Punta Lagoa (Bahamas/Ría de Vigo), Punta Moa (Cuba/Punta Moa. Pontevedra) y así hasta más de 125  lugares.

4- La carabela (Nao) “Santa María”, fue construida en los astilleros de la Moureira en Pontevedra, propiedad de Juan de la Cosa, el nombre completo o como se conocía a la embarcación era Santa María “la Gallega”, fue la nave capitana de Colón, que también fue la única aportación que hizo el Almirante al descubrimiento. Al encallar la nave en el primer viaje Colón se queja y dice “la traición del maestre y  de la gente que eran todos o los más de su tierra”, se refiere a la tripulación de la Santa María que procedía de las costas gallegas.

5- En su primer viaje la única celebración que festejó Cristóbal Colón, fue el día 18 de diciembre (de 1492), para conmemorar el día de Nuestra Señora de la “O”, que es la Patrona de Pontevedra, fiesta que hasta el día de hoy se sigue celebrando en Pontevedra, el día de Santa María de la “O” es el día tradicional  de los marineros de Pontevedra.

Cristóbal Colón era de familia noble, nos lo narra el propio Almirante, cuando escribe una carta al ama del príncipe Don Juan, hijo de los reyes católicos, en la que decía “No soy el primer Almirante de mi familia”, nunca existió en ningún reino de la península ibérica algún Almirante que no fuera de la nobleza.

El Almirante tenía relaciones con la más alta nobleza de Portugal, Castilla, Aragón, Francia e Inglaterra, con esto queda claro el entorno social en que se desenvolvía, solo los nobles tenían escudo de armas y Cristóbal Colón tenía su propio escudo de armas. Antes, durante y después de la presentación de su proyecto, Colón fue tratado y protegido con los honores y preeminencias que entonces se dispensaban a las personas de noble alcurnia. Los Reyes Católicos le otorgaron el derecho de hacer un mayorazgo, un privilegio otorgado solo a los nobles castellanos.

Basándose en lo que escribió Colón y en los hechos, se sabe que  procedía de la nobleza, era natural de los reinos de Castilla, escribía con giros gallegos, conocía perfectamente las costas de Galicia principalmente las de Pontevedra, tenia tratos con la alta nobleza portuguesa, buscando a algún noble con estas características, un noble súbdito de los reinos de Castilla, de origen gallego, que se desenvuelva entre Portugal y el sur de Galicia (Pontevedra), que además era el único lugar del mundo donde existía el apellido Colón. Hoy se sabe que Pedro Álvarez de Sotomayor mejor conocido como Pedro Madruga era Cristóbal Colón, noble en dos regiones Galicia y Portugal, Conde de Camiña (Portugal), Señor de Sotomayor, Mariscal de Bayona y Vizconde de Tuy (Pontevedra, Galicia).

Pedro Álvarez de Sotomayor (Cristóbal Colón), y su hermano João Gonçalves de Sotomayor (Bartolomé Colón), eran hijos bastardos de Fernán Yáñez (Eannes) de Sotomayor, fruto de sus relaciones con Constanza Gonçalvez de Colón, tenían dos medios hermanos, uno por parte de su madre, de nombre Diego Colón, y otro por parte de  padre de nombre Alvar Páez de Sotomayor (heredero legitimo de la casa de Sotomayor).

Cristóbal Colón tenía conocimientos de latín y de las sagradas escrituras,  por haber sido  seminarista, entre 1440 y 1446, por deseo de su padre Fernnan Yáñez de Sotomayor, en 1446 cambia los libros por la espada y la navegación.

Su hermano Don Alvar Páez de Sotomayor, heredero de la casa de Sotomayor, sin tener descendencia y antes de morir, consiguió de Enrique IV, en 1468, la legitimación en orden de sucesión en los bienes y derechos de la casa Sotomayor a favor de su medio hermano Pedro Álvarez de Sotomayor, a la muerte de Alvar P. Sotomayor en las revueltas Irmandiñas, Pedro toma posesión de la casa Sotomayor, recuperando el patrimonio familiar perdido por la revuelta  y aumentando su señorío, convirtiéndose en uno de los señores feudales con más poder de la época.

Durante la guerra de sucesión  entre Isabel de Castilla (la Católica) y Juana de Castilla (la Beltraneja) apoyo la causa de Juana y de Portugal, al ganar la guerra Isabel la Católica, le despoja del señorío de Sotomayor, y Pedro A. de Sotomayor se refugia en Portugal.

Cristóbal Colón  aparece cuando desaparece Pedro Álvarez de Sotomayor, en una supuesta y misteriosa muerte que nadie investigo, ni apareció cadáver alguno ni sus hijos y descendientes reclamaron la herencia ni su testamento. Posterior a la fecha atribuida a su muerte se han encontrado varios documentos en donde se confirma que está vivo (pleitos, reclamaciones de deuda, etc.).

Por los escritos que dejo Colón se puede ver que los personajes son el mismo, Colón decía que la forma de vivir de sus antepasados fue el de mercaderías por la mar, como  los Colón de Pontevedra, que eran mercaderes, todos relacionados con las actividades marítimas de aquella época, su padre Fernán Yáñez de Sotomayor era un importante armador de Pontevedra, tenía la capitanía de barcos  propios, de mercancías y de “al corso” y están relacionados con los de Colón de Pontevedra.

Colón decía que vivió de las armas, Pedro Álvarez de Sotomayor se enrolo como mercenario, adiestrándose en el manejo de las armas.

Colón decía que estuvo veintitrés años en la mar y Pedro Álvarez de Sotomayor comprueba que estuvo veintitrés años en la mar,  hay constancia que justifican a Pedro A. de Sotomayor sus conocimientos náuticos y su ausencia de 23 años, existen varios documentos y cronistas de la época que lo avalan, entre otros, Vasco De Aponte que nos dice “Pedro Álvarez de Sotomayor llega a Galicia con muchas riquezas por sus correrías marítimas y grandes alianzas portuguesas” o como nos narra L. Ferreiro: “una vez liberado de la tutela de Fray Esteban de Soutelo, en 1446 “cambió los libros por la espada”, y en 1469 regresó a Galicia después de veintitrés años de ausencia”

El fraile Diego de Deza estudio junto con Pedro A.de Sotomayor, y fue de los que más ayudo a Colón en su empresa del descubrimiento. El cardenal de Toledo que también lo ayudo era pariente de los  Sotomayor, los amigos de Colón son también los amigos y valedores de Pedro A.de Sotomayor, los enemigos de Colón que siempre lo estuvieron fustigando son curiosamente los enemigos de Pedro A. de Sotomayor.

El comportamiento de Pedro Álvarez de Sotomayor a los que sus enemigos lo tenían por cruel, es igual que el comportamiento de Colón pese a lo que muchos creen Colón era cruel y déspota como lo aseguran sus marineros y contemporáneos, que es el clásico comportamiento de un señor feudal de la época.

Lucio Marineo Siculo, capellán y confesor de los Reyes Católicos, que conoció en la Corte a Colón, escribe un libro contando todo lo relacionado con la “gesta del descubrimiento” y en un párrafo refiriéndose a Colón, lo nombra como Don Pedro Colón, al igual que el historiador portugués  Gaspar Fructuoso, también contemporáneo a Colón, lo llamaba Pedro Colón, la propia Academia de la Historia, llega a la conclusión de que su nombre de pila completo era Cristóbal Pedro,  como se refleja en la abreviatura del documento de 1496: XPº de Colón. Los primeros nativos americanos que llevo Colón a Europa los bautizo con los nombres de Cristóbal y Pedro.

Felipa Muñiz quien tuvo un hijo de Colón, era prima de Teresa de Távora, mujer de Pedro Álvarez de Sotomayor de la que se separo después de exiliarse en Portugal. Colón escribió a los reyes una carta donde dice que dejo tierras, mujer, e hijos al desplazarse a Castilla, pero si lo acompañaba su hijo Diego y su otro hijo Hernando todavía no nacía además que ya no tenía mujer, se refería a la familia que dejo en Galicia.

Colón nos dice que tenía otros hijos en una carta que le escribe a su hijo Diego desde Sevilla el 1 de diciembre de 1504, le hace referencia al cuidado de otros diez hermanos “… Diez hermanos no te serían demasiados, nunca yo falle mayor amigo a diestro y siniestro que mis hermanos…”. Pedro Álvarez de Sotomayor tuvo con Teresa de Távora, 9 hijos que sumados al que le nació de Beatriz Enríquez, serian los 10 hermanos de Diego.

Cristóbal Colón velo por los hijos de Pedro A. de Sotomayor a excepción de Álvaro de Sotomayor, al que Pedro A. de Sotomayor había desheredado.

En la corte de Carlos V existe un texto que menciona a Diego Sotomayor el hijo de Pedro A. de Sotomayor, como hijo de Colón.

La criptica firma de Colón es el árbol genealógico de Pedro A. de Sotomayor.

Pedro Correa de Acuña era cuñado de Pedro Álvarez de Sotomayor y es conocido como cuñado de Colón

Colón afirmo que conocía los secretos más celosamente guardados de Portugal, Pedro A. de Sotomayor, era del pequeño grupo de personas que conocía esos secretos.

El primer lugar donde fue enterrado Colón pertenece a la familia “de la Cerda” familiares de los Sotomayor, es el mismo lugar donde enterraron a Fernán Yáñez de Sotomayor, padre de Pedro A. de Sotomayor. La segunda sepultura de Colón se hizo en Sevilla en el monasterio de la  Cartuja junto a unos primos de Pedro A. de Sotomayor.

Se han realizado serias investigaciones sobre la escritura de Colón, el 14 de octubre del 2009  se dio a conocer un descubrimiento asombroso, gracias al adelanto tecnológico,  la perito calígrafo y grafo psicológico  Teresa Torres Legarreta, realizo un estudio comparativo de la escritura de Cristóbal Colón y Pedro A. de Sotomayor (Pedro Madruga).

La perito calígrafo mostró con gráficos y superposiciones de escrituras como las formas de las letras son muy similares en ambos personajes, tantas coincidencias  son una prueba más de que se trata de la misma persona.

Las investigaciones de la perito fueron comunicadas a la Universidad de Barcelona para la revisión del estudio y los expertos calígrafos coinciden en que aparecen todas esas similitudes entre las letras y sus formas. Lo que no deja lugar a dudas Pedro A. de Sotomayor y Cristóbal Colón es la misma persona.

“No soy el primer Almirante de mi familia” (2) – Paio Gomes Charino, V Almirante de la Mar (1284-86)

Arca tumular de Paio Gomes Charino - Séc. XIV (São Francisco de Pontevedra)
Arca tumular de Paio Gomes Charino – Séc. XIV (São Francisco de Pontevedra)

a qui : iace : el mui noble: cavallero: payo guomez : charino: el primeiro : senor : de  rrianjo : que gano : a seuilla siendo : de moros y los preuilejos : desta uilla : ano de : 130(…)

Nasceu algures entre a península galega do Morrazo, o monte Lobeira no Salnés e a vila de Pontevedra, na década de vinte do século XIII, talvez em 1225 conforme opinião de Armando Cotarelo Valledor, o seu mais dedicado biógrafo. Durante a sua vida de cerca de setenta anos, serviu três reis de León e Castilla: Fernando III “o Santo” (1217-1252), Alfonso X “o Sábio” (1252-1284) e Sancho IV “o Bravo” (1284-1295).

Ao serviço do primeiro esteve ainda jovem, em 1248, na conquista de Sevilla, participando na armada comandada por Ramon Bonifaz. Segundo a tradição recolhida na Primera Crónica General de España editada por Ramon Menéndez Pidal em 1906, uma das acções mais decisivas dessa campanha foi a destruição da chamada “Ponte de Triana”, uma ponte de barcas que atravessava o rio Guadalquivir unindo as duas margens, e que inviabilizava então o completo e eficaz cerco da cidade pelas tropas cristãs. Para a sua destruição, terão contribuído as acções concertadas de Bonifaz e Charino – se bem que a Crónica não mencione este último -, cada um capitaneando navios dos maiores e mais fortes da frota, que investiram primeiro contra as referidas barcas, abrindo caminho a um ataque em cunha que aniquilou definitivamente a referida passagem entre margens. (Menéndez Pidal, 1906, pp. 760-761)

Natural das rias galegas, com paços familiares em Pontevedra, provavelmente dotados de estaleiro marítimo como assinala M. Jorge Parada Mejuto, participante com muitos outros parentes na frota organizada entre a Cantábria e o Minho para a referida acção de conquista, decerto se deverá concluir, que tanto a sua família, como o próprio Paio Gomes, estariam envolvidos nas actividades e comércio marítimos, quer no transporte quer enquanto armadores de navios. Sugere inclusive aquele autor, que os objectivos das empresas de Paio Gomes Charino ao longo da sua vida, se prenderam essencialmente com a dinamização do comércio entre a Galiza e o Mediterrâneo, só possível através da existência, com carácter permanente, de uma armada na região do estreito de Gibraltar, capaz de anular a presença naquelas paragens de embarcações muçulmanas. (Parada Mejuto, 2007, pp. 127-132)

Durante o reinado do segundo daqueles soberanos, não existem praticamente notícias suas. Presume-se que possa ter participado em acções marítimas da época, como a tomada de Cádiz em 1263 ou o desastre de Algeciras de 1278, em virtude da obrigação de vassalagem a que estava obrigado pelo senhorio da vila realenga de Rianxo, a qual lhe fora outorgada pelo rei “sábio” como forma de controlar o enorme poder que o arcebispo de Santiago detinha na Galiza. Efectivamente ficou a dever-se a Paio Gomes, a construção naquele porto da ria de Arousa, de uma das maiores fortalezas da Galiza, que controlava a foz do rio Ulla, pelo qual se acedia à vila de Padrón, senhorio arcebispal e porta de entrada marítima para Santiago de Compostela. A acção fiscalizadora e tributária desenvolvida desde então em Rianxo, terá sido um dos factores que levou ao crescimento da alternativa de Noia, mais a norte na ria de Muros, que nas primeiras décadas do século XIV podia já ser considerada “o novo porto xacobeo”, conforme lhe chama José García Oro, no capítulo que lhe dedica em Galicia en los siglos XIV y XV. (García Oro, 1987, vol. II, pp. 169)

Janelas góticas do que se crê terem sido os pazos de Paio Gomes Charino, em Pontevedra (Museo de Pontevedra)
Janelas góticas do que se crê terem sido os pazos de Paio Gomes Charino, em Pontevedra (Museo de Pontevedra)

A edição do cancioneiro de Charino, feita por Cotarelo Valledor compensa, por outro lado, a falta de documentação para este período da vida do primeiro senhor de Rianxo. Desse modo se podem conhecer vinte e oito cantigas de sua autoria: dezanove de amor, seis de amigo, uma serventês, uma de tensão e uma de escárnio. Segundo o investigador, Paio Gomes trovou durante pelo menos trinta e oito anos, entre 1248 e 1286, essencialmente como passatempo, enquadrando-se na moda cultural da corte do seu tempo. Informa também Parada Mejuto, que o idioma, que o idioma galaico-português estava então muito em voga entre castelhanos, aragoneses, portugueses e franceses, sendo os trovadores galegos muito acarinhados e procurados. (Cotarelo Valledor, 1934; Parada Mejuto, 2007, pp. 135-136)

Alfonso X reinou trinta e dois anos. Na segunda metade desse tempo sofreu forte contestação da nobreza, devido à política imperial que impôs e que foi exaurindo os recursos do reino. Rebelou-se o infante Sancho, filho segundo do monarca, encabeçando um bando de revoltosos, que cresceu até ao quase completo isolamento em que se encontrava o rei “sábio”, quando morreu em Sevilla.

Paio Gomes Charino esteve desde a primeira hora com o futuro rei Sancho IV, na luta pela sucessão que aquele manteve com os sobrinhos (infantes de la Cerda), filhos do príncipe Fernando, seu irmão primogénito morto ainda em vida do pai. Esse apoio valeu-lhe a nomeação para “Almirante de la Mar”, logo no início do novo reinado, existindo documentação coeva que o coloca no exercício do cargo entre Agosto de 1284 e Setembro de 1286. Cabiam-lhe por inerência das funções, a direcção e o comando das galeras do Mediterrâneo e dos navios “mancos” da costa atlântica, assim chamados por não possuírem remos; apenas velas.

Como única notícia que se conserva da sua actuação enquanto almirante, ficou o conhecido episódio da galé que Paio Charino obrigou os habitantes de Pontevedra a custear e construir para o serviço real. Fê-lo porque a vila pertencia ao arcebispo de Santiago com quem andava inimizado! Ignorou não apenas que D. Rodrigo Gonzalez estava nas boas graças de Sancho IV, como também que desde o reinado do seu antecessor, os vizinhos da vila gozavam de isenção do “imposto de galea”, pelo que a tal não eram obrigados. O protesto chegou ao rei que logo ordenou o embargo à construção da nave, a qual acabou por ficar à mercê dos tempos, apodrecendo na taracena contígua ao paço de Charino!

Esse episódio, seguido no mesmo ano pela destituição de Paio Gomes enquanto “Almirante de la Mar”, revela que a confiança do soberano de Castilla no senhor de Rianxo recrudesceu entre 1286 e 1291. Nesse ano, contudo, pôde retornar à graça real após ter capturado o adiantado-mor Juan Alfonso Teles, senhor de Alburquerque, cabeça do bando rebelde pró-infantes de la Cerda que tumultuava a Galiza. Na sequência dessa acção, foi nomeado para lhe suceder naquele cargo, que manteve desde 1292 até à morte do rei “bravo”, em 1295. (Parada Mejuto, 2007, pp. 137-152)

Seguiu-se novo período de convulsão interna em Castilla, com a decisão de fazer coroar Fernando IV, um menino de nove anos, tutelado pela mãe, a rainha-viúva Maria de Molina, que assumiu a regência na menoridade do filho. Grande parte da nobreza galega apoiou o infante Juan de Castilla, irmão do defunto rei, que chegou a titular-se como soberano de León, Galicia e Sevilla entre 1296 e 1300, passando em seguida à obediência de Fernando IV. Nesse clima de grande instabilidade política, Paio Gomes Charino não foi excepção, aceitando do insurrecto infante a alcaiadaria de Zamora. Num desses anos finais do século XIII, acabou assassinado às mãos de um sobrinho de sua mulher chamado Rui Peres de Tenório, decerto mandatado pela regência!

Maria Giraldes Maldonado, seu mulher, continuou a residir em Pontevedra, atribuindo-se-lhe a construção da arca tumular existente no lado do Evangelho da cabeceira da igreja de San Francisco, datado de 1304 0u 1306, talvez o mais significativo testemunho que perdurou na memória do povo, legando à posteridade a lembrança do almirante-poeta.

Paio Gomes Charino e a sua dona (Alfredo Eiras)
Paio Gomes Charino e a sua dona (Alfredo Eiras)

No século XV, decerto não haveria em Pontevedra quem não frequentasse ofícios em San Francisco, e qualquer dos seus habitantes bem conheceria a efígie fúnebre de Paio Charino, jazendo ao lado de Maria Maldonado. Na frente do monumento, a inscrição que ainda hoje se pode ler (e encabeça o presente ensaio), enquadrava um escudo de armas bem conhecido dos vizinhos da vila: seis faixas axadrezadas de ouro e vermelho representavam então a poderosa casa de Soutomaior. Por esse motivo se conhecia que Paio Gomes Charino fora oriundo de tão ilustrada linhagem, a qual dominava ainda Pontevedra nesses anos de quatrocentos, primeiro com o embaixador Paio Gomes de Soutomaior, depois com o mariscal de Castilla, alcaide das torres arcebispais Suero Gomes, juntamente com seu primo Álvaro Paes, e finalmente, durante a quase totalidade da década de setenta, com Pedro Madruga, conde de Caminha, irmão deste último.

Por outro lado, a memória física da própria vila evocava o já referido episódio da galé, uma vez que se fora enraizando nesse século e meio, o hábito de conhecer a porta noroeste da vila, como “porta da galé”. Não fora isso suficiente, perduravam também nesses tempos, bem perto da referida porta, os paços do almirante Charino, integrando parte da muralha da vila, e que então ainda se deviam transmitir por herança dentro da linhagem.

A própria presença na vila, com carácter de “vizinhos”, dos supramencionados Paio e Suero Gomes, herdeiros de Rianxo – senhorio de que Charino fora o primeiro detentor conforme se lia na inscrição daquela arca tumular -, ainda integrava no século XV, o almirante, na linhagem dos Soutomaior. Mesmo que se não conhecessem os meandros das genealogias; ainda que de entre os seus filhos e netos um só tivesse usado aquele nome; apesar do conhecimento de que actualmente dispomos não permitir sequer documentar essa ascendência. Um facto prova, contudo, a presença ainda bem viva do antepassado Charino entre os seus descendentes: em 1454, seu bisneto, o embaixador de Enrique III a Tamerlán, Paio Gomes de Soutomaior, legava em testamento, pelo tempo de uma década, aos franciscanos da vila, uma quantia anual pela alma de Paio Gomes Charino.

D. Pedro Álvares de Soutomaior, conde de Caminha, que bem conheceu a realidade dessa Pontevedra de quatrocentos – que dominou -, teria decerto semelhante percepção relativamente a Paio Gomes Charino: pertencia à linhagem dos de Soutomaior; logo fora o primeiro almirante da sua família.

 

“No soy el primer Almirante de mi familia” (1) – Os almirantes da casa de Soutomaior

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Meia dúzia de anos foram suficientes para que a glória conseguida por Cristóbal Colón no continente, se transformasse em amargura, desconfiança e revolta, sentimentos trazidos a Castilla em 1499 por alguns dos habitantes de La Española, cujas expectativas de vastas riquezas se viram goradas.

Pertence a Hernando Colón, o benjamim autor da História del Almirante, a descrição presencial desse clima que então grassava na corte e por certo se estenderia também ao reino dos Católicos: “Era de tal manera que estando yo en Granada, cando murió el serenísimo príncipe D. Miguel, más de 50 de ellos como hombres sin verguenza compraron una gran cantidad de uvas y se metieron en el pátio de la Alhambra, dando grandes gritos, diciendo que sus altezas y el Almirante los hacían passar la vida de aquella forma, por la mala paga, y otras deshonestidades é indecências que repetian.

Tanta era su desverguenza, que cuando el Rey Católico salía, le rodeaban todos y le cogían en medio diciendo: Paga, paga, y si acaso yo y mi hermano, que éramos pajes de la serenísima Reina pasábamos por donde estaban, levantaban el grito hasta los cielos diciendo: – Mirad los hijos del Almirante, los mosquitillos de aquel que há hallado tierras de vanidad, y engano para sepulcro y miséria de los hidalgos castellanos, – añadiendo otras muchas injurias por lo cual excusábamos passar por delante de ellos.” (Colón, 1892, vol. II, pp. 122-123)

Existem pelo menos, mais duas versões similares desta última frase acusatória: “Mirad los hijos del Almirante de los mosquitillos, de aquél (…)”, numa conferência acerca de Colón y Bobadilla, proferida no ateneo de Madrid por D. Luís Vidart, e “Mirad los hijos del Almirante de los mosquitos, de aquél (…)”, na edição da História del Almirante de Luís Arranz Marquez, expressão ressaltada por Consuelo Varela nos seus estudos sobre Cristóbal Colón y la construcción de un mundo nuevo. (Vidart, 1892, pp. 9; Colón, 1984, pp. 260-261; Varela, 2010, pp. 78)

Perdido que foi o texto original, não é hoje possível recuperar a ideia exacta que Hernando Colón quis transmitir. Porém, uma ilação é possível extrair-se entre estas versões: se aos filhos chamavam “mosquitillos”, ao pai decerto chamariam depreciativamente “Almirante de los mosquitos” ou “mosquitillos”, descarregando nessa praga insalubre – abundante naquelas remotas paragens – todos os factores negativos da colonização de terras tão sem atractivos.

Esclarecer este aparente pormenor é relevante, quando nos move a intenção de comentar uma reacção de Colón a essas notícias vindas da corte, quiçá incluídas nalguma missiva então enviada por Diego a seu pai.

Obviamente que Cristóbal sabia que era criticado e ridicularizado no reino. Disso faz referência numa das cartas que enviou a Juana de la Torre – que fora ama do príncipe Juan de Castilla – mencionada por Hernando Colón e da qual também se perdeu o original, restando apenas a citação incluída na História del Almirante: “No soy el primer Almirante de mi família; pónganme el nombre que quisieren, que al fin David, Rey muy sábio, guardó ovejas y después fué hecho Rey de Jerusalém; y yo soy siervo de aquel mismo Señor que puso á David en este estado.” (Colón, 1892, vol. I, pp. 13)

Como quem diz: tenho linhagem de chefes de mar; mereço o cargo; não me importam insultos pois Deus saberá fazer-me justiça!

Alfonso Philippot Abeledo foi quem primeiro identificou Cristóbal Colón com o magnata galego D. Pedro Álvares de Soutomaior, celebrizado pela alcunha de “Pedro Madruga”. Entre as muitas evidências apresentadas, o início desta frase supracitada e imortalizada na História del Almirante, é de impossível contestação quando atribuída àquele senhor de Soutomaior. Baseado no estudo genealógico, Philippot encontrou quatro figuras que verificavam a afirmação “No soy el primer Almirante de mi família”, quando aplicada à casa de Soutomaior: Paio Gomes Charino, Álvaro Paes, Alfonso Jofre Tenório e Diego Hurtado de Mendoza.

Pedra de armas de Cristóbal Colón - Séc. XVI (Puerto Rico)
Pedra de armas de Cristóbal Colón – Séc. XVI (Puerto Rico)

Procurando o reforço dos seus argumentos, o investigador foi ainda mais longe, associando-os ao número de âncoras que constituíam parte do escudo de armas atribuído pelos Reis Católicos a D. Cristóbal Colón: em campo de azul, cinco âncoras de ouro deitadas e postas em aspa. A quinta âncora corresponderia ao próprio almirante.

Interpretava desse modo aquele brasonar, atribuindo-lhe características “falantes”, expressão que em heráldica se traduz pela associação visual simples, a ideias ou significantes. Por outras palavras: se o campo de azul e o signo da âncora se associavam directamente ao trato de mar – o que se não contesta – já o número de âncoras deveria significar que o portador se assumia como o quinto almirante da sua linhagem. A necessidade de fazer prova desta premissa, levou a que Alfonso Philippot se “excedesse” na busca genealógica, incluindo neste grupo o almirante Diego Hurtado de Mendoza, cuja ascendência na casa de Soutomaior remontava a cinco gerações e claramente se identificava então, apenas com a linhagem dos mendoza, senhores de Hita e Buitrago. (Philippot Abeledo, 1994, pp. 229)

Os Anales eclesiásticos y seculares de la Muy Noble y Muy Leal Ciudad de Sevilla, de Diego Ortiz de Zúñiga, foram a fonte consultada. Nele se dizia que os almirantes “(…) a los blasones de sus armas, añadian un áncora, como lo he visto en algunos sellos de Don Juan Mate de Luna, y otros”. Porém esta ideia não vincula que figurassem tantas âncoras, quantos os familiares que haviam militado naquele cargo! (Ortiz de Zúñiga, 1795, tomo II, pp. 298)

Pode mesmo atestar-se que em heráldica, o ordenamento do escudo segundo opções formais estéticas, se sobrepõe bastas vezes à suposta simbólica representada. Por isso as peças móveis – de que a âncora é um excelente exemplo – se apresentam em número variado e sempre assumindo posições fundamentais. Um caso paradigmático do que se afirma, são as variações ao longo do tempo no número de besantes ordenados nas quinas do brasão português, assim como a quantidade de castelos presentes na bordadura do mesmo.

Escudo de armas de D. Fadrique Enríquez de Cabrera, almirante de Castilla - Séc. XVI
Escudo de armas de D. Fadrique Enríquez de Cabrera, almirante de Castilla – Séc. XVI

Desse modo, as cinco âncoras postas em aspa no brasão de Colón, mais não devem ser entendidas do que representando a dignidade de Almirante em que fora investido. Tome-se como exemplo a primeira página do privilégio de confirmação do Almirantado de Granada a D. Fadrique Enríquez de Cabrera, a qual ilustra a capa do estudo dedicado ao Almirantazgo de Castilla, assinado por José Manuel Calderón Ortega. Em rodapé, figura o escudo de armas daquele Fadrique Enríquez, o quarto almirante da sua família (Enríquez de Castilla), ou o sexto se considerarmos igualmente a linhagem da bisavó D. Juana de Mendoza y Ayala, irmã e sobrinha dos almirantes da casa de Mendoza. O referido escudo apresenta-se esquartelado de Enríquez de Castilla, contra Cabreras de Módica, interessando-nos mais particularmente a representação heráldica relativa aos primeiros. (Calderón Ortega, 2003)

Segundo o Diccionario Heraldico y Nobiliario de Fernando Gonzalez-Doria, as armas dos Enríquez ordenavam-se da seguinte forma na sua origem: escudo mantelado; 1º e 2º , em campo vermelho, um castelo de ouro, e no mantel de prata, um leão rampante de vermelho. (Gonzalez-Doria, 1994, pp. 524)

Pedra de armas dos Enríquez, almirantes de Castilla - Séc. XV (Castelo de Torrelobatón)
Pedra de armas dos Enríquez, almirantes de Castilla – Séc. XV (Castelo de Torrelobatón)

Após a elevação de Alfonso Enríquez ao cargo de almirante de Castilla, em 1405, esse ramo da linhagem acrescentou à sua representação heráldica, uma bordadura de prata, carregada indiferentemente de seis ou oito âncoras azuis, travadas de ouro. Registam-no os escudos existentes no castelo de Torrelobatón, que lhes pertenceu (6 âncoras), e verifica-se no aludido exemplo da capa do livro de Calderón Ortega, extraído do privilégio de confirmação do Almirantado de Granada (8 âncoras), provando-se deste modo que o número das mesmas era, de facto, aleatório e sujeito ao regimento heráldico ou às condicionantes do desenho.

Explanado este ponto de vista, deverá ser descartado o nome de Diego Hurtado de Mendoza, dos possíveis titulares do almirantado de Castilla, pertencentes à casa de Soutomaior, resumindo-se então a lista a três nomes, todos naturais de Pontevedra: Paio Gomes Charino, cujo sepulcro apresenta em evidência as armas dos Soutomaior; Álvaro Paes, possível titular da casa na transição do século XIII para o XIV; e Alfonso Jofre Tenório, membro segundo da casa de Tenório, senhorio que pertenceu por sucessão hereditária, desde finais do século XIV, também aos Soutomaior. À luz dos considerandos das linhagens de antanho, só estes três nomes, entre a extensa lista dos trinta e três almirantes de Castilla, podem ser considerados como pertencentes àquela casa, logo pertencentes à “família” do Conde de Caminha, D. Pedro Álvares de Soutomaior.